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Tilápia e mercado global sob pressão nas exportações

Redação
13/01/2026 às 22:55
Tilápia e mercado global sob pressão nas exportações

Barreiras externas, importações asiáticas e preços estáveis mudam a conta do produtor.

A tilápia brasileira ganhou espaço na última década, profissionalizou sistema, escala e indústria, mas o jogo virou no mercado externo. O movimento principal agora é de ajuste: exportações recuaram, o mercado interno absorve mais volume e o produtor precisa afinar custo, qualidade e estratégia de venda. O desafio imediato é manter margem com preços estáveis e concorrência mais dura, tanto lá fora quanto dentro da porteira.

O que realmente aconteceu com as exportações de tilápia

Os dados consolidados de 2025 mostram que o Brasil exportou 15,1 mil toneladas de tilápia e produtos secundários, queda de 8,5% em relação a 2024, quando o volume foi de 16,5 mil toneladas. A receita também sentiu: US$ 59,8 milhões, recuo de 4%, e R$ 336 milhões, baixa de 1,2% no comparativo anual.

Segundo análise do Cepea, divulgada em 9 de janeiro de 2026, esse recuo não veio do nada. Ele está diretamente ligado às taxações impostas pelos Estados Unidos, principal destino da tilápia brasileira, e à abertura do mercado norte-americano para importações vietnamitas, o que acendeu alerta sanitário e aumentou a concorrência.

Na prática, menos peixe brasileiro cruzando fronteira significa mais volume disputando espaço no mercado doméstico, pressionando preços em alguns polos e exigindo mais eficiência do produtor.

Preços internos estão estáveis, mas não folgados

No início de 2026, o Cepea aponta estabilidade nas cotações nos principais polos produtores, reflexo de um equilíbrio entre oferta e demanda. No Norte do Paraná, a tilápia viva foi negociada a R$ 8,90/kg, com alta semanal de 2,29%. No Oeste do Paraná, o preço ficou em R$ 8,00/kg.

Já na região dos Grandes Lagos, em São Paulo, o cenário de 2025 foi mais duro. Houve queda superior a 12% em reais ao longo do ano, mesmo com algumas recuperações sazonais. Isso mostra que estabilidade média não significa conforto para todos.

O ponto é que, sem crescimento das exportações, o mercado interno vira o fiel da balança. Quando a oferta cresce um pouco mais rápido que o consumo, a conta aperta no bolso do produtor.

Custo de produção e margem exigem gestão fina

Com preços andando de lado, quem decide o resultado é o custo. Ração, energia, mão de obra, sanidade e logística seguem pesando, e qualquer descuido vira prejuízo. A tilapicultura é intensiva por natureza. Não tem muito espaço para erro de manejo ou desperdício.

Na prática, o produtor sente isso quando a conversão alimentar piora, quando a mortalidade sobe ou quando o peixe sai fora do padrão exigido pela indústria. Em um mercado mais competitivo, qualidade deixou de ser diferencial e virou obrigação básica.

O relatório Panorama Pecuário 2025/2026 do Cepea reforça que a tilapicultura faz parte de um setor pecuário que responde por 8,6% do PIB e cerca de 5 milhões de empregos. Ou seja, é relevante, mas também está cada vez mais profissional.

Oferta, clima e o peso da Quaresma

Não há dados específicos de clima ou safra para a tilápia em 2025/26 divulgados por Embrapa ou Cepea. O que existe é uma leitura de mercado: o Cepea projeta oferta alinhada à demanda no primeiro semestre, com impulso típico no consumo durante a Quaresma.

Esse período costuma ajudar a escoar produção e dar sustentação aos preços, principalmente no mercado interno. Mas ele não resolve problemas estruturais, como excesso de oferta regional ou dependência excessiva de um único mercado externo.

Câmbio não é o fator central, mas o mercado externo pesa

Diferente de grãos ou carnes tradicionais, não há referência de Chicago ou efeito direto de câmbio divulgados recentemente para a tilápia. Ainda assim, o mercado internacional influencia muito o setor.

Quando os Estados Unidos impõem tarifas e abrem espaço para fornecedores asiáticos, o impacto chega direto na indústria brasileira e, na sequência, no produtor. Menos exportação significa mais peixe aqui dentro e poder de barganha menor na venda.

Além disso, as discussões ambientais sobre a tilápia como espécie exótica invasora também entram no radar, trazendo risco regulatório e exigindo atenção redobrada à sustentabilidade do sistema.

Estratégias práticas para atravessar esse cenário

O produtor que continua no jogo é aquele que ajusta rápido. Algumas decisões práticas ajudam a reduzir risco:

  • Foco absoluto em sanidade e qualidade, evitando qualquer problema que feche portas na indústria ou no mercado externo.
  • Gestão fina de custo, acompanhando conversão alimentar, densidade e mortalidade lote a lote.
  • Planejamento de venda, aproveitando picos de demanda como a Quaresma e evitando concentração excessiva de oferta.
  • Diversificação de canais, buscando cooperativas, contratos ou nichos regionais que paguem melhor por padrão.
  • Atenção às importações, acompanhando discussões sanitárias e movimentos do mercado internacional.

O que muda a conversa é entender que a tilápia deixou de ser aposta e virou negócio de margem apertada. Quem trata como hobby vai sofrer.

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