Barreiras externas, importações asiáticas e preços estáveis mudam a conta do produtor.
A tilápia brasileira ganhou espaço na última década, profissionalizou sistema, escala e indústria, mas o jogo virou no mercado externo. O movimento principal agora é de ajuste: exportações recuaram, o mercado interno absorve mais volume e o produtor precisa afinar custo, qualidade e estratégia de venda. O desafio imediato é manter margem com preços estáveis e concorrência mais dura, tanto lá fora quanto dentro da porteira.
O que realmente aconteceu com as exportações de tilápia
Os dados consolidados de 2025 mostram que o Brasil exportou 15,1 mil toneladas de tilápia e produtos secundários, queda de 8,5% em relação a 2024, quando o volume foi de 16,5 mil toneladas. A receita também sentiu: US$ 59,8 milhões, recuo de 4%, e R$ 336 milhões, baixa de 1,2% no comparativo anual.
Segundo análise do Cepea, divulgada em 9 de janeiro de 2026, esse recuo não veio do nada. Ele está diretamente ligado às taxações impostas pelos Estados Unidos, principal destino da tilápia brasileira, e à abertura do mercado norte-americano para importações vietnamitas, o que acendeu alerta sanitário e aumentou a concorrência.
Na prática, menos peixe brasileiro cruzando fronteira significa mais volume disputando espaço no mercado doméstico, pressionando preços em alguns polos e exigindo mais eficiência do produtor.
Preços internos estão estáveis, mas não folgados
No início de 2026, o Cepea aponta estabilidade nas cotações nos principais polos produtores, reflexo de um equilíbrio entre oferta e demanda. No Norte do Paraná, a tilápia viva foi negociada a R$ 8,90/kg, com alta semanal de 2,29%. No Oeste do Paraná, o preço ficou em R$ 8,00/kg.
Já na região dos Grandes Lagos, em São Paulo, o cenário de 2025 foi mais duro. Houve queda superior a 12% em reais ao longo do ano, mesmo com algumas recuperações sazonais. Isso mostra que estabilidade média não significa conforto para todos.
O ponto é que, sem crescimento das exportações, o mercado interno vira o fiel da balança. Quando a oferta cresce um pouco mais rápido que o consumo, a conta aperta no bolso do produtor.
Custo de produção e margem exigem gestão fina
Com preços andando de lado, quem decide o resultado é o custo. Ração, energia, mão de obra, sanidade e logística seguem pesando, e qualquer descuido vira prejuízo. A tilapicultura é intensiva por natureza. Não tem muito espaço para erro de manejo ou desperdício.
Na prática, o produtor sente isso quando a conversão alimentar piora, quando a mortalidade sobe ou quando o peixe sai fora do padrão exigido pela indústria. Em um mercado mais competitivo, qualidade deixou de ser diferencial e virou obrigação básica.
O relatório Panorama Pecuário 2025/2026 do Cepea reforça que a tilapicultura faz parte de um setor pecuário que responde por 8,6% do PIB e cerca de 5 milhões de empregos. Ou seja, é relevante, mas também está cada vez mais profissional.




