Margem depende mais da eficiência e do mercado externo do que do volume produzido.
O mercado de frango entra em 2026 com sinal misto para quem está na granja e para quem decide contrato no escritório. A produção cresce, o consumo interno ajuda a dar sustentação, mas o custo segue no radar e a exportação é o fiel da balança. O desafio imediato do produtor é simples de entender e difícil de executar: segurar custo operacional enquanto a cadeia inteira depende de câmbio, frete e mercado externo para fechar a conta.
Onde o preço se sustenta e onde a conta aperta
As projeções do CEPEA indicam produção brasileira de carne de frango em 14,73 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 3,8% em relação a 2025. O dado vem acompanhado de um consumo interno estimado em 47,3 kg per capita, número que ajuda a manter o mercado doméstico rodando e evita excesso de oferta.
Na prática, isso cria um ambiente de preços mais estáveis ao produtor integrado, com margens consideradas favoráveis quando a operação está ajustada. O ponto é que essa margem não vem do preço alto, mas do equilíbrio entre oferta e demanda. Quem tem custo fora da curva sente rapidamente.
Custos de produção ainda são o centro da decisão
O maior peso segue sendo a ração. Milho e farelo de soja continuam dolarizados, o que coloca o câmbio como variável-chave para 2026. Mesmo com safra 2025/26 de milho considerada elevada, limitando altas mais fortes no grão, o ganho não chega inteiro na granja.
Frete rodoviário corrói parte importante desse alívio. Granjas mais distantes das fábricas de ração e dos abatedouros sentem no bolso o transporte de ração, pintinhos de um dia e aves vivas. É custo que não aparece no papel da commodity, mas aparece todo mês no fluxo de caixa.
Além disso, energia, embalagens e logística seguem pressionando. A tributação também entrou no jogo com mais força. A LC nº 224/2025 elevou custos em elos iniciais, como ovos férteis e pintinhos de um dia, incidindo antes mesmo do abate. Na prática, esse custo chega diluído ao produtor, mas chega.
Clima e oferta ajudam, mas não resolvem sozinhos
As temperaturas mais elevadas no início de 2026, somadas ao período de quaresma, contribuem para um ajuste natural da oferta interna. Isso ajuda a evitar pressão negativa de preços no mercado doméstico.
O ponto é que clima favorável e consumo ajustado não resolvem problema estrutural de custo. Eles dão fôlego, mas não substituem gestão. Quem entra no ano sem controle fino de conversão alimentar, mortalidade e logística sente a diferença mesmo em um cenário considerado positivo.
Exportação é o que muda o jogo da rentabilidade
Do lado externo, os números explicam por que o frango segue no radar. A ABPA registrou exportações de 5,324 milhões de toneladas em 2025, alta de 0,6% frente a 2024, mesmo com os impactos da gripe aviária em outros países. A receita somou US$ 9,790 bilhões, com leve recuo de 1,4%, mostrando que volume não significa automaticamente mais dinheiro.




