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Frango no radar com custos apertados e exportação decisiva

Redação
13/01/2026 às 22:24
Frango no radar com custos apertados e exportação decisiva

Margem depende mais da eficiência e do mercado externo do que do volume produzido.

O mercado de frango entra em 2026 com sinal misto para quem está na granja e para quem decide contrato no escritório. A produção cresce, o consumo interno ajuda a dar sustentação, mas o custo segue no radar e a exportação é o fiel da balança. O desafio imediato do produtor é simples de entender e difícil de executar: segurar custo operacional enquanto a cadeia inteira depende de câmbio, frete e mercado externo para fechar a conta.

Onde o preço se sustenta e onde a conta aperta

As projeções do CEPEA indicam produção brasileira de carne de frango em 14,73 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 3,8% em relação a 2025. O dado vem acompanhado de um consumo interno estimado em 47,3 kg per capita, número que ajuda a manter o mercado doméstico rodando e evita excesso de oferta.

Na prática, isso cria um ambiente de preços mais estáveis ao produtor integrado, com margens consideradas favoráveis quando a operação está ajustada. O ponto é que essa margem não vem do preço alto, mas do equilíbrio entre oferta e demanda. Quem tem custo fora da curva sente rapidamente.

Custos de produção ainda são o centro da decisão

O maior peso segue sendo a ração. Milho e farelo de soja continuam dolarizados, o que coloca o câmbio como variável-chave para 2026. Mesmo com safra 2025/26 de milho considerada elevada, limitando altas mais fortes no grão, o ganho não chega inteiro na granja.

Frete rodoviário corrói parte importante desse alívio. Granjas mais distantes das fábricas de ração e dos abatedouros sentem no bolso o transporte de ração, pintinhos de um dia e aves vivas. É custo que não aparece no papel da commodity, mas aparece todo mês no fluxo de caixa.

Além disso, energia, embalagens e logística seguem pressionando. A tributação também entrou no jogo com mais força. A LC nº 224/2025 elevou custos em elos iniciais, como ovos férteis e pintinhos de um dia, incidindo antes mesmo do abate. Na prática, esse custo chega diluído ao produtor, mas chega.

Clima e oferta ajudam, mas não resolvem sozinhos

As temperaturas mais elevadas no início de 2026, somadas ao período de quaresma, contribuem para um ajuste natural da oferta interna. Isso ajuda a evitar pressão negativa de preços no mercado doméstico.

O ponto é que clima favorável e consumo ajustado não resolvem problema estrutural de custo. Eles dão fôlego, mas não substituem gestão. Quem entra no ano sem controle fino de conversão alimentar, mortalidade e logística sente a diferença mesmo em um cenário considerado positivo.

Exportação é o que muda o jogo da rentabilidade

Do lado externo, os números explicam por que o frango segue no radar. A ABPA registrou exportações de 5,324 milhões de toneladas em 2025, alta de 0,6% frente a 2024, mesmo com os impactos da gripe aviária em outros países. A receita somou US$ 9,790 bilhões, com leve recuo de 1,4%, mostrando que volume não significa automaticamente mais dinheiro.

Para 2026, a projeção da ABPA é mais ambiciosa. Produção podendo chegar a 15,7 milhões de toneladas, crescimento de 2%, e exportações até 5,5 milhões de toneladas, alta de 5,8%. O Brasil mantém a liderança global, com cerca de um terço do mercado internacional.

O avanço para a União Europeia em 2026 fortalece a competitividade do produto brasileiro e ajuda a diversificar destinos. Isso reduz dependência excessiva de um único comprador e dá mais previsibilidade à indústria.

Um sinal complementar vem do mercado de ovos. Em dezembro de 2025, as exportações somaram 2.257 toneladas, alta de 9,9% frente a dezembro de 2024, com receita de US$ 5,110 milhões, crescimento de 18,4%. Não é o core da cadeia de corte, mas indica apetite externo por proteína avícola brasileira.

Câmbio como risco silencioso para 2026

O câmbio influencia dois lados da planilha. De um lado, encarece milho e soja usados na ração. De outro, melhora a competitividade da exportação. O problema é o descasamento de timing. O custo entra agora; a receita externa depende de contrato, embarque e mercado.

Sem dados recentes específicos de preços de soja para avicultura divulgados por CEPEA ou IMEA, o cenário pede cautela. O produtor não pode contar apenas com um câmbio favorável para resolver margem. Precisa trabalhar eficiência interna enquanto a indústria faz a gestão comercial.

O que o produtor pode fazer na prática

Não existe bala de prata, mas alguns pontos fazem diferença direta no bolso:

  • Gestão logística: revisar rotas, volumes e frequência de entrega de ração e retirada de aves. Frete mal planejado vira custo fixo invisível.
  • Eficiência zootécnica: conversão alimentar e ganho de peso são os amortecedores naturais do custo alto de ração.
  • Atenção à tributação: entender como a LC nº 224/2025 impacta contratos e repasses ao longo da cadeia.
  • Alinhamento com a indústria: quem está integrado precisa participar da discussão de escala, calendário e mercado.
  • Monitorar exportações: normalização de fluxos para China e UE é decisiva para sustentar preço interno.

O ponto é que 2026 não será um ano de erro barato. O mercado oferece oportunidade, mas cobra execução. Produzir mais não resolve se o custo não estiver sob controle.

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