Saiba quais os impactos e incertezas para o agronegócio brasileiro a partir da implantação das tarifas de 50% dos EUA
A partir de 1º de agosto de 2025, entrará em vigor uma tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos(EUA) sobre todos os produtos importados do Brasil. A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, vem sendo justificada como uma retaliação a supostas práticas comerciais desleais e, segundo parte da imprensa internacional, também tem motivações políticas ligadas ao contexto eleitoral americano e à relação do ex-presidente Jair Bolsonaro com o atual governo brasileiro. Independentemente das razões, os efeitos imediatos se desenham de forma contundente sobre o agronegócio brasileiro, setor fortemente dependente do mercado norte-americano.
Café, suco de laranja e carne: setores mais expostos
Três segmentos emblemáticos do agro nacional estão entre os mais vulneráveis às tarifas: o café, o suco de laranja e a carne bovina. O Brasil é responsável por cerca de 30% do café consumido nos EUA e 60% do suco de laranja. Com a imposição de uma tarifa de 50%, o custo desses produtos no varejo norte-americano deve aumentar significativamente, o que pode levar à retração na demanda e à substituição por fornecedores de outros países.
No caso da carne bovina, o impacto é igualmente relevante. O Brasil é o segundo maior fornecedor do produto aos Estados Unidos, respondendo por aproximadamente 23% das importações. Empresas como JBS e Minerva já sinalizam uma possível suspensão das exportações para o mercado americano, dado que a nova tarifa inviabiliza economicamente a operação. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e entidades ligadas ao setor apontam que os efeitos podem ser duradouros, incluindo perda de participação de mercado e dificuldades de recomposição em médio prazo.
Pressão sobre o mercado interno e estratégias de adaptação
Com o provável redirecionamento de exportações para outros mercados, como Europa e Ásia, o Brasil busca alternativas para evitar perdas bilionárias. No entanto, esses movimentos enfrentam entraves logísticos e regulatórios que não se resolvem da noite para o dia. Países com exigências fitossanitárias mais rigorosas, por exemplo, demandam adaptações complexas por parte dos exportadores brasileiros.
Além disso, há o risco de acúmulo de estoques internos, o que pode pressionar para baixo os preços de produtos como açúcar, etanol e celulose. Tal cenário tende a afetar pequenos e médios produtores, cujas margens de lucro já são apertadas. Por outro lado, a desvalorização cambial — possível efeito colateral das tensões comerciais — pode tornar os produtos brasileiros mais competitivos em mercados secundários, ainda que à custa de maior volatilidade e pressão inflacionária no mercado interno.




