Tema foi discutido em audiência do Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados.
O desenvolvimento sustentável, com ações concretas de respeito ao meio ambiente, deve direcionar a retomada econômica do setor agropecuário no pós-pandemia, segundo representantes de empresários, trabalhadores e pesquisadores ouvidos nesta quinta-feira (26) em audiência pública do Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados (Cedes).
O chefe da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi, afirmou que a agricultura sustentável não é mais uma opção, mas uma “necessidade imperativa”, sobretudo diante das evidências de mudanças climáticas. Segundo ele, instrumentos de bioeconomia, economia circular e economia verde devem dominar as relações de produção e consumo.
“Todas as modalidades convergem para um mesmo modelo de economia, baseado em novos processos e inspirado na própria natureza, onde tudo se recicla e nada é perdido nem desperdiçado”, disse. “Essa nova economia e a agricultura têm muito em comum: ambas são dependentes de sistemas biológicos e renováveis.”

Morandi apontou para uma tendência de crescimento no uso de produtos biológicos e de medidores de sustentabilidade na agricultura, dentro do processo de descarbonização da produção. A solução do que chamou de “mazelas”, como o desmatamento ilegal e a perda de alimentos durante a produção e o consumo, também integra essa estratégia sustentável. O Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), aprovado pelo Congresso, e alguns programas governamentais – como o RenovaBio e o Programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) – são alguns dos instrumentos já em curso para colocar o País na “rota da bioeconomia”, na opinião dele.
Governança
Professor sênior de agronegócio do Instituto Insper, Marcos Jank tem posição semelhante e falou dos esforços do setor privado em adotar, na prática, o conceito ESG, sigla em inglês para governanças social, ambiental e corporativa.
“As mudanças climáticas e as desigualdades sociais são assuntos críticos para a humanidade. Podem matar muita gente. Por isso, é fundamental unirmos forças para encontrar alternativas para a agricultura. A Embrapa ajudou a fazer uma soja com ciclo mais curto, e nós já temos hoje 17 milhões de hectares de pastos que estão em integração lavoura/pecuária”, declarou.

Jank fez críticas a várias esferas de governo pela demora na implantação efetiva do Código Florestal e no combate ao desmatamento ilegal, que ocorre sobretudo em terras públicas.
Por sua vez, o consultor de meio ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Justus, disse que a crise de imagem internacional que o Brasil enfrenta na área ambiental não reflete a condição da maioria dos médios e grandes agricultores, que, segundo ele, têm usado a inovação para garantir a sustentabilidade dos sistemas produtivos.
Justus queixou-se de problemas regulatórios e administrativos que o setor enfrenta quanto a regularização fundiária e licenciamento ambiental.





