Os sistemas de cultivos que aliam grãos, forrageiras e árvores na região de transição cerrado-amazônia podem armazenar, no primeiro 1 metro de camada do solo, 16% a mais de carbono que áreas onde apenas a pecuária extensiva está presente
Isso representa 18 toneladas a mais de carbono por hectare, retidas no solo na forma de matéria orgânica. Esse é o resultado de pesquisa realizada pela Embrapa que aponta uma função importante da integração lavoura, pecuária e floresta (sistema ILPF) para minimizar a mudança global do clima e contribuir para os serviços ambientais da produção.
O estudo da Embrapa foi conduzido na Fazenda Gamada, em Nova Canaã do Norte (MT), e envolveu áreas de consórcio entre eucalipto e rotação soja, arroz de terras altas e braquiária em comparação com ambiente onde só havia pasto em estado de degradação. Os resultados mostraram que o sistema ILPF pode ser uma estratégia eficiente para acumular carbono no solo e assim contribuir para a recuperação de pastagens degradadas. A matéria orgânica é fundamental para a manutenção da produtividade de sistemas agropecuários.
“As árvores no sistema ILPF sobre solos sem restrição de fertilidade, como o baixo teor de nitrogênio, podem proporcionar aumento de carbono em camadas mais profundas do solo (abaixo de 30 cm), de modo relativamente rápido, em três anos”, disse a pesquisadora Beáta Madari, coordenadora do estudo. Isso é resultado do acúmulo de matéria orgânica sob as fileiras de árvores, no caso eucalipto, e mostra, de um lado, a importância do componente arbóreo nesses sistemas para acumular carbono, que foi removido da atmosfera, no solo, e, por outro lado, a possibilidade e importância do manejo do carbono no solo em profundidade.
