Com quase 1.000 km de extensão, ferrovia ligará Sinop ao porto de Miritituba e aumenta opções para escoar produção do agronegócio

Com o olhar voltado para um programa de sustentabilidade na agropecuária de Mato Grosso também “da porteira para fora”, o Fórum Agro MT, por seu presidente, Itamar Canossa, tem feito pronunciamentos em apoio à construção da Ferrogrão, projeto de ferrovia que deve ligar Sinop (MT) a Miritituba, em Itaituba (PA). A ferrovia tem sido vista pelos produtores como uma importante rota para o escoamento da safra da região norte de nosso Estado. As defesas veementes da ferrovia se dão em virtude de recente movimento de políticos e ativistas internacionais que se opõem à construção, alegando perdas ambientais no Parque Nacional do Jamanxim, no Estado do Pará. Os defensores da ferrovia informam que o parque tem área de 859.797,04 hectares e que a área a ser desafetada para a construção é de 860 hectares, equivalente a cerca de 0,1% do parque.

Siga-nos: Facebook | Instagram | Youtube

Além do ínfimo impacto na área do parque, Canossa chama a atenção aos ganhos ao meio ambiente. Segundo ele, após a conclusão será reduzido drasticamente o fluxo de caminhões pela BR 163, o que implicará diretamente na redução tanto da emissão CO2 quanto de acidentes na rodovia. “Também é preciso dizer que o traçado da ferrovia acompanha o da BR-163, o que vai promover uma mínima remoção da vegetação. A ferrovia é ecologicamente sustentável”, afirmou.

Canossa também destaca que será uma via de mão dupla, na ida para o porto escoará nossa produção e, no retorno, poderá trazer fertilizantes e combustíveis com um custo mais baixo para o consumidor. “Nossa economia é baseada no agronegócio, uma atividade onde o produtor não determina o preço de seus produtos e absorve todos os custos de produção e transporte. Temos a expectativa de que a Ferrogrão promoverá uma redução do custo do frete, fazendo com que nossos produtos tenham menos pressão dos preços mundiais e que os agropecuaristas possam investir mais nas lavouras”.

E não é só uma questão de custos, mas também de viabilidade e de futuro. Mato Grosso produz, hoje, cerca de 65 milhões de toneladas de grãos por ano, sendo que há estudos que apontam que a produção poderá ser de 120 milhões de toneladas dentro de nove anos. “Temos um histórico de dificuldades de escoamento da produção, com trechos que se tornam intransitáveis no período das chuvas. Com a produção sendo alçada ao dobro da atual, como escoaremos a tudo isso?”, questiona Canossa.

Em entrevista à imprensa, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse que as previsões de aumento na produção atraem olhares de investidores, o que viabiliza ainda mais a obra. “Tem muita gente que acredita no Mato Grosso. Tem produtor fazendo 80 sacas por hectare. Ninguém produz isso no mundo. É mais do que o dobro do que o americano faz”, disse Tarcísio durante encontro com a Frente Parlamentar de Agropecuária (FPA) em maio.