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Safrinha pressiona e Chicago recua, milho em territorio baixista com riscos assimetricos

Redação
28/05/2026 às 08:58
Colheita de milho safrinha em Mato Grosso com colheitadeiras em lavoura

O milho brasileiro encara um paradoxo. A safrinha chega com força e lota os armazéns, mas o produtor não tem muito o que comemorar. Enquanto a colheita avança e o grão se acumula, Chicago derrete e leva os preços internos junto.

O contrato Julho 26 fechou a US$ 4,52 por bushel na CME Group, uma queda acumulada de 6,42% no período recente. O motivo é o avanço acelerado do plantio nos Estados Unidos. Dados do USDA mostram que 86% da área americana já foi semeada, bem acima da média histórica para esta época. E as previsões climáticas para o meio-oeste seguem favoráveis. Sem sustos do lado do clima, Chicago não tem muito combustível para subir.

Lá no campo, a história se repete. A colheita da safrinha avança forte nos principais estados produtores. Mato Grosso, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul estão colhendo em ritmo acelerado. O resultado é o aumento da oferta em um momento em que os compradores estão cautelosos.

Colheita de milho safrinha em Mato Grosso com colheitadeiras em lavoura
Colheita da safrinha de milho avança em Mato Grosso com ritmo acelerado

Os prêmios nos portos brasileiros seguem apertados, reflexo do excesso de oferta e da dificuldade pontual de escoamento em algumas regiões. O indicador Cepea/Esalq fechou em R$ 65,13 por saca no mercado disponível de Paranaguá, com média semanal de R$ 65,67. A pressão já chega aos terminais portuários, embora com menos intensidade do que no interior.

Safrinha pesa e a conta não fecha em Mato Grosso

O IMEA divulgou os preços disponíveis para o milho em Mato Grosso no dia 27 de maio. A média do estado ficou em R$ 42,33 por saca, com uma variação que assusta. Rondonópolis, mais próximo do consumo, registrou R$ 46,90. Alta Floresta, no extremo norte, amargou R$ 38,05. Quase R$ 9,00 de diferença entre as praças.

RegiãoPreço R$ por saca
Mato Grosso (média)R$ 42,33
RondonópolisR$ 46,90
Primavera do LesteR$ 45,75
Alto AraguaiaR$ 45,25
Alto GarçasR$ 45,15
Campo VerdeR$ 45,45
Tangará da SerraR$ 44,60
SapezalR$ 44,15
Campos de JúlioR$ 44,05
DiamantinoR$ 44,40
Campo Novo do ParecisR$ 43,95
SorrisoR$ 42,40
CanaranaR$ 42,35
Lucas do Rio VerdeR$ 41,15
Nova MutumR$ 41,05
SinopR$ 41,75
Nova UbiratãR$ 39,60
Alta FlorestaR$ 38,05
Referencia IMEA (27/05/2026)

A paridade de exportação calculada pelo IMEA ficou em R$ 35,89 por saca na média do estado, com alta de 2,28% no período. Esse número é o piso teórico que o produtor receberia se vendesse para o mercado externo, descontados os custos de transporte e embarque. Com o dólar em R$ 5,06, a paridade oferece alguma proteção. Mas o volume expressivo de grãos que está chegando ao mercado segue pressionando as cotações para baixo.

Riscos no radar que podem mudar o rumo

Nem tudo é baixista o tempo todo. Tem coisa no radar que pode pegar o mercado de surpresa.

A estiagem prolongada em Goías está comprometendo a safrinha do estado. As perdas estimadas já alcançam até 19% da produção potencial. Se essa quebra se confirmar, a oferta total brasileira pode ser menor do que se esperava. E isso mexe com o preço.

Grãos de milho sendo carregados em silo para comercialização
Milho safrinha em fase de comercialização com preços pressionados pela oferta

Outro ponto de atenção é o dólar, que segue firme na casa dos R$ 5,06. Enquanto a moeda americana se valoriza, a exportação fica mais atrativa e segura o preço interno. Mas o câmbio sozinho não segura a maré de grãos que está chegando. O IPCA-15 de maio foi o maior para o mês em 10 anos, o que adiciona pressão na política monetária e pode influenciar o câmbio nas próximas semanas.

No fronte da demanda, as usinas de etanol de milho em Mato Grosso seguem ampliando capacidade. A expansão prevista para a safra 2026/27 é de 16% na capacidade de processamento do estado. Ajuda a escoar, mas não é páreo para o volume da safrinha. E os custos de produção da safra 2026/27 dispararam. Insumos como fertilizantes, defensivos e combustíveis pesaram no bolso do produtor, comprimindo as margens.

Na ponta do lápis, o cenário para as próximas semanas é de pressão baixista, com a safrinha avançando e os EUA confirmando uma safra robusta. Mas o produtor que tem armazém e paciência pode encontrar janelas de oportunidade. Quebra em Goías, susto climático no meio-oeste americano ou um real mais desvalorizado podem virar o jogo rápido. A informação de qualidade continua sendo a melhor ferramenta para decidir a hora certa de vender.

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