Por Arno Schneider – Engº Agrº e pecuarista
A Agropecuária Santa Vergínia foi a primeira fazenda brasileira que recebeu o certificado NET Zero para pecuária de corte e a primeira aprovada pela EMBRAPA para o programa Carne Carbono Neutro.
No meu entender houve um pequeno equívoco neste processo, tanto pela certificadora, pela EMBRAPA e pela fazenda, talvez provocado pelo modismo dos consórcios, que as vezes, resulta em exageros.
A primeira regra de um sistema de integração é a adição de renda. Consorciar duas culturas ao mesmo tempo e na mesma área deverá ser mais vantajoso do que plantá-las separadamente.
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Certificado Net Zero e a Carne Carbono Neutro
Na Santa Vergínia, os renques quádruplos de eucalipto, mais os dois a três metros de cada lateral que quase nada produzem, tornam a proporção floresta x pastagem com 40 x 60 % de ocupação.
As faixas destinadas às pastagens, parcialmente sombreadas, possuem muitas falhas com touceiras pouco perfilhadas e colmos altos procurando luz. Essa condição deixa a pastagem menos produtiva e mais vulnerável à seca e ao pastejo e com evidente redução da carbonização do solo.
Ousaria propor o plantio de 30% da área com eucalipto, separadamente em sistema adensado, sem prejuízo da produtividade e do sequestro dos GEE pela floresta e 70% de pastagens também solteiras com duplicação ou triplicação da produtividade. Também poderia-se plantar o eucalipto num sistema silvipastoril com uma distribuição espacial adequada, sem prejuízo da produtividade pastoril e no restante em sistema adensado até completar a área desejada.

Sem o sombreamento a adubação das pastagens realizada pela fazenda será muito mais efetiva. Seria uma reforma das pastagens, adubadas anualmente, que quando bem manejadas, segundo as próprias pesquisas da EMBRAPA, promoveriam uma carbonização do solo que neutralizaria todas as emissões do setor pecuário, mesmo sem o plantio de árvores.
A opção da fazenda em plantar 30% da área com eucalipto se deve ao fato da proximidade das indústrias de celulose. É bem possível que a floresta seja mais lucrativa que o gado. Está certa a fazenda em fazer tal opção. Porém, plantar 30% da área com florestas em sistema silvipastoril, não aumenta em nada o sequestro de GEE pela floresta, nem promove outras vantagens que compensariam as perdas das pastagens pelo excessivo sombreamento.
É claro que nessa proporção de florestas a fazenda será NET Zero e Carne Carbono Neutro em relação ao balanço dos GEE.
A pergunta é: será que esses certificados seriam concedidos se os plantios não tivessem sido realizados em um sistema de consórcio?





