Um grupo de produtores rurais de Sapezal, em Mato Grosso, montou uma brigada particular para combater incêndios florestais na região. A articulação chega em boa hora. Com o início da temporada de fogo, e apesar da moratória instituída pelo governo federal, Mato Grosso já registrou um incêndio de grande proporção em agosto. Aproximadamente 2,3 mil hectares de vegetação nativa e pastos naturais foram atingidos.

Dados do ICV (Instituto Centro de Vida) apontam que Mato Grosso chegou a 740 mil hectares de áreas atingidas por incêndios florestais só em 2021 – extensão equivalente a cerca de cinco vezes o município de São Paulo.

Com o intuito de evitar que estragos desse tipo ocorram em suas áreas, cada um dos produtores participantes da brigada auxilia com a estrutura que possui, como, por exemplo, tratores de esteira, utilizados na época da seca para remover a palha e fazer aceiros na beira das estradas, evitando que o fogo se propague.

O grupo integra o projeto CONSERV, um mecanismo privado e de adesão voluntária que remunera financeiramente produtores rurais da Amazônia Legal comprometidos a conservar o excedente de vegetação nativa em suas propriedades que, por lei, poderia ser suprimida.

Manter ações de combate a incêndio é um dos pré-requisitos para fazer parte do programa, lançado em outubro de 2020 pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), em parceria com o Woodwell Climate Research Center e com o EDF (Environmental Defense Fund).

Vídeo explicativo sobre o CONSERV

A união faz a força

Integrante da brigada e um dos primeiros a ser contratado pelo CONSERV, o produtor rural de Mato Grosso Carlos Roberto Simoneti decidiu investir o valor pago pelo projeto em um caminhão pipa, que fica à disposição caso ocorra qualquer sinal de fogo na região. “Já que estou sendo remunerado para conservar, decidi dar o exemplo e fiz essa aquisição para ajudar todo o pessoal“, afirma.

Já o produtor Redi Biesuz, também participante do programa, colabora oferecendo não só seu maquinário, mas a estrutura hidráulica de sua propriedade. “Caso seja necessário, temos um grande reservatório e uma rede de água espalhada pela fazenda, com tubulações que podem ser adaptadas para abastecimento rapidamente“, explica.