A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários de Mato Grosso (Seaf-MT) iniciou, nesta terça-feira (20.06), em Peixoto de Azevedo (670 km ao Norte de Cuiabá), a capacitação continuada de técnicos
O objetivo é dar sustentabilidade ao cultivo da citricultura, como parte do programa estadual Pró-Limão, que visa fomentar e fortalecer a cadeia produtiva do limão como alternativa sustentável de geração de renda. Na região Norte mato-grossense, o foco é, principalmente, o tipo tahiti.
No módulo apresentado pelo doutor Eduardo Fermino Carlos, foi abordado o tema ‘Aspectos Gerais da Citricultura’. Nele, o pesquisador tratou de questões como Centros de Origem e Dispersão, Citricultura no Mundo, Biologia e Fisiologia, Cultivares de Copas, Cultivares de Porta-Enxertos, Principais Pragas e Doenças e Importância de Plantas Matrizes e do Viveiro. Em seguida, a fiscal de defesa agro e florestal do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea-MT), Márcia Benedita Martins, ministrou a palestra ‘Defesa Fitossanitária Vegetal em Mato Grosso voltada para a citricultura’.
O agrônomo da Seaf-MT, Leonardo da Silva Ribeiro, lembrou que o titular da pasta, Suelme Fernandes, não tem medido esforços para apoiar o Pró-Limão. “Dentro do programa, contamos com suporte de toda a Seaf para executar ações como este curso, que é essencial para capacitar nossos técnicos, que auxiliarão os produtores. Nós continuaremos a apoiar o desenvolvimento dessa cultura no estado”. O servidor da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Osmar Assis Alves, disse que o órgão trabalha para promover cursos de capacitação continuada. “Programas como o Pró-Limão significam avanço nas políticas voltadas para a agricultura familiar”.
O professor Luciano Gomes, que também participa do evento pela Seaf-MT, destacou que a capacitação continuada dos técnicos está sendo realizada há mais de um ano. “Nós escolhemos Peixoto como ponto de partida para promover o Pró-Limão porque existe uma bem-sucedida experiência no plantio desta cultura”. O secretário de Agricultura de Matupá, Valdecir Noronha, e o secretário Executivo do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável do Portal da Amazônia, Humberto Paiva de Oliveira, ressaltaram as características do programa, que propiciam rentabilidade e diversificação da renda para os produtores.
O doutor Eduardo Fermino Carlos, que retorna ao município para acompanhar um projeto iniciado por ele em 2011, de forma autônoma, e que hoje é um programa de Governo, falou sobre o trabalho de melhoramento genético realizado pelo o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). “O trabalho realizado pelo instituto é uma das mais importantes áreas da pesquisa agronômica, e utiliza, num trabalho multidisciplinar, conhecimentos da genética, biotecnologia, bioquímica, estatística, fisiologia, botânica, fitopatologia, entomologia e nematologia, entre outros, para manipular e modificar a base genética das plantas”.
Ele esclareceu que, para o desenvolvimento de novas cultivares, o Iapar conta com a Área Técnica de Melhoramento Genético (AMG), que se vale das técnicas de prospecção, introdução, avaliação, seleção e multiplicação de materiais, além do intercâmbio de germoplasma e da biotecnologia aplicada à agricultura.
“A AMG utiliza conhecimentos da genética vegetal, biometria, genética de populações e genética quantitativa para, por meio de métodos convencionais e não convencionais, desenvolver cultivares geneticamente melhoradas e conservar o germoplasma”, informou o pesquisador.
Capacitação continuada
Em 2016, 12 mil mudas de limão tahiti, melhoradas geneticamente, foram entregues para 25 produtores rurais da região Norte do estado, nos municípios de Peixoto de Azevedo e Matupá, com a expectativa de produzir mais de 360 toneladas do fruto a partir de 2018. Cada produtor plantou 480 mudas em uma área de um hectare.
A muda de limão melhorada geneticamente é resistente à seca e doenças de solo, e o objetivo do Estado para os próximos anos é dobrar a área de plantio de 25 hectares para 50 hectares. Na região Norte, as condições climáticas e o solo fértil favorecem a cadeia produtiva da citricultura, pois o clima é quente e úmido, ideal para o crescimento da cultura e da qualidade visual do fruto, que apresenta uma coloração diferenciada, mais esverdeada, com a casca lisa, considerada ideal para exportação.


