“Somos um país funcionando de cabeça para baixo. Se não fosse o agronegócio já teríamos afundado no Oceano Atlântico”. Com essa declaração, o presidente do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello Castro, mostrou a importância do setor para a economia brasileira durante o 16º Congresso da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag)

 

O executivo foi um dos debatedores do Painel sobre Reforma Tributária, junto com Luiz Gustavo Bichara, sócio da Bichara Advogados e professor da Fundação Getúlio Vargas, e Paulo Ayres Barreto, sócio-diretor da Aires Barreto Advogados.

“Como a parte industrial está muito ‘machucada’ devido à tributação e lembrando que o Brasil é o único país onde a industrialização é tributada, aumentar os investimentos na agricultura tem sido uma de nossas tendências”, justificou.

Segundo Rabello, o Brasil está cada vez mais vulnerável com a possibilidade de troca de presidente.

“O capital de que o presidente menos dispõe é tempo. Nesse aspecto, ele terá que fazer opções, reequilibrar a área fiscal, ajudando o ministro Henrique Meirelles a encontrar o caminho do meio”, sugeriu.

REFORMA TRIBUTÁRIA

Para Rabello, com a definição de uma reforma tributária que “destrave” o Brasil, o agronegócio ganhará tanto direta quanto indiretamente. Como explica, o efeito indireto é muito maior do que o direto e por um motivo muito simples.

“Temos, hoje, uma logística de terceira categoria e, em parte, o processo tributário atual prejudica o estabelecimento de novos projetos, quer rodoviários, quer ferroviários, que são importantes para o Brasil agrícola ganhar mais competitividade e de fato se consolidar como o grande supridor mundial de alimentos.”