Dando continuidade ao 5º Workshop Apre/Embrapa Florestas, a programação de 06 de julho trouxe palestras técnicas sobre “Gestão da Inovação”, “Inovação da produção de mudas”, “Mecanização de silvicultura” e “Gestão do valor da madeira nas operações florestais”
Empresas que não investem em inovação estão fadadas ao fracasso, diz consultor
Para Mário Sant’Anna, consultor da MPR3, “as empresas que não inovam estão fadadas ao fracasso”. Essa afirmação foi feita durante a palestra “Gestão da Inovação”: “Estamos numa era de mudanças, mas talvez não tenhamos essa percepção muito clara. Vivemos em um novo mundo, com novas ideias, novos modelos de trabalho e novos problemas. Por isso, precisamos encontrar novas soluções todos os dias”, declarou.
Por conta disso, Sant’Anna afirmou que o tema “inovação” tem que fazer parte da cultura da organização, do DNA da empresa. Para se criar essa cultura, ele garantiu que o caminho é trabalhar na gestão da inovação. Infelizmente, o consultor destacou que o Brasil ainda está bastante atrasado no estágio tecnológico da indústria: enquanto estamos no estágio 2.0, países desenvolvidos encontram-se no estágio 4.0.
Para mudar esse cenário, ele ressalta que as organizações devem trabalhar em cima de três pilares – plano estratégico, tático e operacional – e cita que, hoje, é preciso errar mais rápido, corrigir mais rápido, acertar mais rápido e, sobretudo, vender mais rápido. Além disso, Sant’Anna sugere que as empresas adotem a “síndrome do design dominante”, que ganha a fidelidade do mercado, engloba as necessidades de muitas classes de usuários e tem uma função satisfatória generalizada, ao invés de atender às demandas individuais de usuários isolados.
Sobre o setor florestal, o consultor avaliou que o segmento cresceu em produtividade, profissionalizou-se, criou métodos e gestão graças à mecanização, à genética e à química. “Mas os desafios não param de surgir, como os custos, por exemplo. Por isso, é fundamental incorporar novas tecnologias para não perder competitividade”, finalizou.
“Inovação da produção de mudas”
Juliana Goldbach, pesquisadora da Embrapa Florestas, falou sobre produção de mudas. Para dar início à apresentação, ela explicou que a clonagem é a “produção de indivíduos geneticamente iguais” e disse que o processo “é de reprodução assexuada que resulta na obtenção de cópias geneticamente idênticas de uma mesma planta”.
A pesquisadora comentou, ainda, que existem diferentes técnicas dentro da cultura de tecidos, e abordou uma mais biotecnológica, a embriogênese somática, que é a formação de embriões a partir de células somáticas sem que haja fecundação. Segundo ela, a técnica gera grande numero de embriões por linhagem de massa embriogênica – clones. “A vantagem dessa técnica é que temos um numero de embriões por linhagem muito grande, e isso faz ganhar tempo no método de seleção, porque o material já está clonado quando for para ser selecionado. Outra vantagem é o custo, já que existem artigos que mostram que quando a técnica está bem estabelecida, pode ser a técnica mais barata de clonagem para o pinus por indivíduo”, destacou.
Mas mesmo com essas vantagens, Juliana ressaltou que existem algumas limitações para a técnica: é extremamente genótipo dependente; existem protocolos específicos para cada genótipo; há problemas com as taxas de conversão de embriões; dificuldade maior para híbridos, já que esse tipo é mais difícil de responder à técnica; e também existe a necessidade de estrutura de laboratório e de mão de obra especializada. Por conta disso, de acordo com a pesquisadora, muitas empresas de grande porte estão preferindo investir na própria estrutura de laboratório e treinar os colaboradores para usar a técnica; empresas privadas tratam isso como segredo industrial; institutos de pesquisa públicos e privados contam com poucos trabalhos publicados, não é para todas as espécies; necessidade de muita pesquisa ainda para várias espécies.
Por fim, ela falou sobre o investimento, que engloba alinhamento com programa de melhoramento genético; laboratório de cultura de tecidos; reagentes e equipamentos, entre outros.
Mecanização da silvicultura



