Oferta restrita mantém preços em alta e acende o alerta no mercado, veja mais informações a seguir
Amigo produtor, se você anda de olho nas cotações, já percebeu o movimento: a arroba do boi gordo está valorizada e o mercado segue aquecido. A notícia do Cepea, datada de 30 de outubro de 2025, confirma essa percepção. Em diversas praças pecuárias importantes do Brasil, os preços não param de subir, com valorizações que chegam a 5% em regiões como Goiás e Tocantins. Mas o que está realmente por trás dessa tendência? A resposta está em um dos princípios mais básicos da economia, aplicado diretamente à nossa realidade no campo: a oferta restrita de animais terminados, somada à necessidade dos frigoríficos de preencher suas escalas de abate, cria o cenário perfeito para a valorização.
Neste artigo, vamos mergulhar nos fatores que levaram a este momento e discutir como você, pecuarista, pode navegar e se beneficiar deste cenário desafiador.
O que explica a baixa disponibilidade de animais?
Para entender o cenário atual, precisamos olhar para o passado recente. A pecuária é uma atividade de ciclo longo, e as decisões tomadas há dois ou três anos refletem diretamente na quantidade de bois gordos disponíveis para o abate hoje. Um dos principais fatores foi o abate elevado de fêmeas em períodos anteriores, quando os preços do bezerro não estavam tão atrativos.
Muitos produtores optaram por vender matrizes, o que reduz a capacidade de produção da “fábrica de bezerros” do país. Com menos bezerros nascendo, a consequência, anos depois, é uma menor quantidade de animais chegando ao peso ideal para o abate. Esse é um claro exemplo de como a dinâmica do ciclo impacta diretamente o mercado e reforça por que a oferta restrita mantém preços em alta. Além disso, questões climáticas, como secas prolongadas em anos anteriores, afetaram a qualidade das pastagens. A recuperação lenta dos pastos dificulta a engorda do gado, atrasando a chegada desses animais ao mercado e contribuindo para a escassez.
A pressão dos frigoríficos e a formação de preço
Do outro lado da porteira, temos a indústria frigorífica. Com contratos de exportação para cumprir e a necessidade de abastecer o mercado interno, os compradores não podem simplesmente esperar. As chamadas “escalas de abate”, que representam a programação de animais a serem processados nos próximos dias, estão mais curtas. Quando a oferta de boi gordo diminui, os frigoríficos precisam competir mais ativamente pelos lotes disponíveis. Essa competição eleva o poder de barganha do pecuarista.
Conforme aponta o levantamento do Cepea, “compradores que precisam cumprir as escalas de abate acabam pagando mais pela arroba”. Em São Paulo, por exemplo, os negócios já ultrapassam a casa dos R$ 315,00. Essa pressão compradora é um motor poderoso que impulsiona as cotações, ilustrando perfeitamente como a oferta restrita mantém preços em alta no dia a dia da negociação.
Oferta restrita mantém preços em alta: como se planejar?
O momento pode ser favorável para quem tem boi para vender, mas exige um planejamento cuidadoso para garantir a sustentabilidade do negócio a longo prazo. A valorização da arroba também vem acompanhada de um custo de produção mais elevado, especialmente na reposição. Portanto, é fundamental agir com estratégia. Para o produtor que busca otimizar seus resultados neste cenário, algumas práticas são essenciais.
- Gestão de pastagens: Investir na recuperação e no manejo correto do pasto é crucial para garantir alimento de qualidade e acelerar o ganho de peso do rebanho, diminuindo o tempo de engorda;
- Planejamento nutricional: Utilizar a suplementação estratégica, seja a pasto ou em confinamento, pode ser a chave para terminar os animais mais rapidamente e aproveitar a janela de preços altos;
- Análise de mercado: Acompanhar de perto as cotações, os relatórios de mercado e as tendências de consumo ajuda a tomar a decisão certa sobre o melhor momento para vender o gado;
- Controle de custos: Manter um registro detalhado de todos os custos de produção permite calcular a margem de lucro real e identificar pontos onde é possível economizar sem comprometer a produtividade.
A tecnologia como ferramenta para driblar a escassez
Em um setor cada vez mais competitivo, a tecnologia deixou de ser um luxo para se tornar uma necessidade. Ferramentas de gestão de rebanho, softwares de controle financeiro e nutricional, e o uso de genética de ponta são aliados poderosos do pecuarista. O melhoramento genético, por exemplo, permite produzir animais mais precoces e eficientes na conversão alimentar, ou seja, que atingem o peso de abate em menos tempo e consumindo menos recursos. Segundo especialistas, o futuro da pecuária passa pela eficiência.




