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Oferta global de arroz cai após nove anos e mexe com o mercado

Redação
07/01/2026 às 13:22
Oferta global de arroz cai após nove anos e mexe com o mercado

A redução na produção mundial de arroz em 2026 acende o alerta para as margens do produtor brasileiro, veja mais informações a seguir

O produtor de arroz sabe bem o que é acordar com a geada no lombo ou com o sol rachando a mufa na hora de regular a plantadeira. Mas, ultimamente, o que tem tirado o sono de muita gente porteira para dentro não é apenas a previsão do tempo, e sim a matemática que teima em não fechar lá no final do talhão. A gente olha para o horizonte da safra 2025/26 e percebe que o tabuleiro mudou de um jeito que a gente não via faz tempo. Depois de quase uma década vendo a produção subir degrau por degrau, o mercado mundial resolveu puxar o freio de mão, e isso vai respingar direto no galpão de quem produz aqui no Brasil.

O negócio é o seguinte: a produção de arroz para a próxima temporada deve ser menor não só aqui, mas no mundo inteiro. Isso acontece porque o preço pago ao produtor caiu e os estoques estão cheios, o que acaba desestimulando o investimento em área e tecnologia. Os dados que estão saindo agora, neste comecinho de 2026, mostram que a oferta vai ser bem inferior ao que o pessoal estava projetando meses atrás. É uma virada de chave importante, já que vínhamos de nove anos seguidos de crescimento na oferta global. Quando a roda para de girar assim, o produtor precisa ter os pés no chão para não ser pego de calça curta.

O que está por trás da queda na produção mundial

Para entender o motivo dessa retração, a gente precisa olhar para os grandes players. Dos 16 maiores produtores de arroz do planeta, 10 estão reduzindo a marcha. Isso não é coincidência. O mercado funciona como uma gangorra: tivemos anos de muita produção, o que acumulou muito grão nos silos ao redor do mundo. Com muita oferta, o preço naturalmente acaba sofrendo uma pressão para baixo. E o produtor, que não é bobo e conhece o custo do diesel e do adubo, acaba tirando o pé do acelerador.

A lógica é simples, embora a prática seja dolorosa. Com preços menos atrativos, o incentivo para abrir novas áreas ou investir pesado em fertilizantes de alta performance diminui. Segundo as análises mais recentes do Cepea, essa combinação de estoques confortáveis com preços em patamares mais baixos está forçando um ajuste que o mercado vinha adiando. É o ciclo das commodities mostrando sua cara mais dura, obrigando o setor a se reorganizar para não queimar capital.

Outro ponto que a gente não pode deixar de lado é o custo de oportunidade. Em muitas regiões, o produtor olha para o lado e vê a soja ou o milho como alternativas que, mesmo com seus próprios desafios, podem oferecer uma liquidez diferente ou um manejo que se encaixe melhor no fluxo de caixa da propriedade. Esse movimento de migração de área é um dos fatores que ajudam a explicar por que a oferta de arroz está encolhendo nesta temporada. Clique aqui e acompanhe o agro.

A realidade dos estoques e o peso no preço final

Muita gente se pergunta por que o preço não sobe rápido se a produção está caindo. A resposta está nos estoques de passagem. A gente vem de uma sequência de safras gordas, o que significa que ainda tem muito arroz circulando ou guardado esperando comprador. Enquanto esse volume não baixar para um nível que traga preocupação real para os compradores, o preço tende a ficar ali, andando de lado ou subindo com muita timidez.

Essa situação exige uma gestão de comercialização muito afiada. O produtor que vende tudo na colheita pode acabar pegando os piores preços, enquanto quem consegue segurar um pouco o grão precisa calcular se o custo de armazenagem não vai comer toda a margem de lucro lá na frente. É um jogo de paciência e de muito cálculo na ponta do lápis. Olhando para os números oficiais, percebemos que a oferta mundial está se ajustando, mas esse ajuste leva tempo para ser sentido no balcão da cooperativa.

A estratégia agora não é focar apenas em volume, mas em eficiência operacional. Quem conseguir produzir um saco de arroz com o menor custo possível é quem vai sobreviver a esse período de vacas magras no mercado internacional.

Manejo e tecnologia como ferramentas de defesa

Já que o preço do arroz não está lá essas coisas, o jeito é cuidar do que a gente consegue controlar: o que acontece dentro da porteira. O manejo do solo, a escolha da semente certa e o timing da irrigação passam a ser ainda mais cruciais. Não dá para desperdiçar insumo quando a margem está apertada. O uso de tecnologias de agricultura de precisão, que antes parecia luxo, agora se mostra uma necessidade para evitar o desperdício de fertilizantes e defensivos.

Além disso, a rotação de culturas tem se mostrado uma tábua de salvação para muitos produtores de arroz, especialmente no Rio Grande do Sul. Alternar o arroz com a soja em terras baixas ajuda a limpar a área, controlar o arroz vermelho e ainda diversifica a renda da fazenda. É aquela velha história de não colocar todos os ovos na mesma cesta. Fazendo isso, o produtor melhora a estrutura do solo e consegue entrar na safra seguinte de arroz com um potencial produtivo muito maior e um custo de controle de pragas menor.

A gente também precisa ficar de olho nas questões climáticas. Embora a previsão de oferta menor seja baseada em área e intenção de plantio, o clima sempre tem a última palavra. Qualquer problema maior nas lavouras da Ásia, por exemplo, pode mudar esse cenário de estoques altos muito rápido. Por isso, estar bem informado e acompanhar os relatórios do IBGE e da Conab é parte do trabalho diário, tanto quanto engraxar o trator.

O que esperar para o restante da temporada 2026

O cenário para o arroz nesta safra 2025/26 é de cautela, mas não de desespero. O recuo na produção mundial depois de quase uma década de altas mostra que o mercado está tentando se equilibrar. Para o produtor brasileiro, o desafio é manter a competitividade mesmo com uma logística que muitas vezes joga contra. O frete caro e as incertezas na infraestrutura continuam sendo gargalos que comem a rentabilidade.

Para quem está planejando os próximos passos, a dica é olhar para os custos fixos. Muitas vezes a gente foca tanto no preço da semente ou do adubo e esquece de olhar para as pequenas perdas que acontecem durante a colheita ou no transporte. Cada grão que fica pelo caminho é dinheiro que sai do seu bolso. Em anos de oferta ajustada e preços pressionados, a vitória vem nos detalhes.

Olhando para frente, a tendência é que a oferta continue se ajustando até que os estoques globais cheguem a um nível que force uma recuperação nos preços. Até lá, o produtor precisa ser um gestor de riscos. Isso significa travar custos quando houver oportunidade e não ficar esperando por um milagre nos preços de venda. A informação é a melhor ferramenta que a gente tem na mão para tomar decisão sem emoção, baseada apenas na realidade do mercado.

  • Acompanhe de perto os estoques de passagem do governo e das grandes indústrias;
  • Avalie a possibilidade de contratos futuros para garantir uma parte do custeio;
  • Invista na manutenção preventiva das máquinas para evitar paradas não planejadas;
  • Fique atento às mudanças de política comercial em países exportadores como a Índia.

No fim das contas, a lavoura de arroz continua sendo um pilar da nossa agricultura. O momento pede resiliência e inteligência estratégica. O mercado está dando os sinais, e quem souber ler esses sinais e ajustar a vela conforme o vento, vai atravessar essa fase de preços baixos com muito mais segurança. O importante é não perder o foco na produtividade com qualidade, pois o mundo continua precisando comer, e o arroz brasileiro tem um espaço garantido pela sua excelência.

A gente segue acompanhando cada movimentação, cada novo dado que sai das entidades oficiais, para garantir que você tenha a melhor informação na hora de decidir o rumo da sua safra. O campo não para, e a gente também não.

AGRONEWS É INFORMAÇÃO PARA QUEM PRODUZ

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