Mês de março registrou divergência entre o café arábica e o café robusta, veja mais informações a seguir
O encerramento do mês de março consolidou um cenário de comportamentos opostos para as duas principais variedades de café comercializadas no Brasil. De acordo com análises do Cepea, o mercado operou sob uma dinâmica de forças contrastantes: de um lado, o suporte técnico e geopolítico impulsionando o arábica; do outro, a pressão sazonal e a maior disponibilidade física pesando sobre as cotações do robusta (conilon).
A valorização do café arábica ao longo de março surpreendeu parte dos analistas, especialmente considerando que o setor já precifica a entrada de uma safra 2026/27 bastante volumosa. O movimento de alta foi sustentado, primordialmente, por uma oferta imediata limitada. O estoque de passagem apertado, somado a incertezas logísticas e tensões geopolíticas globais que afetam o fluxo de mercadorias, criou um prêmio de risco que sobrepujou o otimismo produtivo.
É relevante notar que esse otimismo não é infundado. O Brasil se prepara para aquela que pode ser a primeira colheita recorde após um ciclo de cinco temporadas consecutivas de frustração produtiva. Desde 2021, o parque cafeeiro brasileiro de arábica vinha sofrendo com intempéries climáticas severas — alternando entre secas prolongadas e geadas — que impediram as plantas de atingirem seu potencial máximo.
Com o clima mais favorável nas principais regiões produtoras durante o desenvolvimento dos frutos para a temporada 26/27, a expectativa é que o ritmo de colheita, que se intensifica entre maio e junho, traga um alívio significativo ao abastecimento global.
O Declínio do Robusta
Diferentemente de seu “primo” mais fino, o café robusta enfrentou um março de desvalorização.
Esse enfraquecimento nos preços é atribuído a uma combinação de fatores internos e sazonais:
Oferta Relativa: Atualmente, a disponibilidade de robusta no mercado físico é superior à do arábica, o que retira o ímpeto dos compradores em elevar as ofertas de preço;
Pressão de Colheita: No Brasil, a colheita do robusta ocorre de forma mais precoce. Com a entrada de novos volumes prevista para o período entre abril e maio, o mercado antecipa o aumento da oferta, gerando um movimento natural de baixa nas cotações;
Ajuste de Estoques: Torrefadoras e exportadores tendem a trabalhar com estoques mais curtos na iminência da entrada da safra nova, aguardando preços mais competitivos.
Perspectivas para a Temporada 2026/27
O mercado agora entra em um período de transição crítica. Para o arábica, o desafio será sustentar os ganhos atuais à medida que as máquinas entrarem em campo em maio. Se as projeções de recorde se confirmarem, é provável que ocorra uma correção técnica nos preços. Contudo, a qualidade da bebida e a demanda internacional contínua atuarão como amortecedores para quedas bruscas.
Para o robusta, o foco total está no volume que chegará às unidades de processamento nas próximas semanas. A tendência é que os preços permaneçam pressionados, a menos que ocorram problemas logísticos imprevistos no Sudeste Asiático (Vietnã), que possam redirecionar a demanda global para o grão brasileiro.
Nota de Análise: O cenário atual reforça a importância da gestão de risco para o produtor. Enquanto o café arábica oferece janelas de oportunidade para fixação de preços elevados antes da entrada da safra, o produtor de café robusta enfrenta um mercado mais saturado, exigindo cautela na estratégia de comercialização para evitar as mínimas sazonais de colheita. Clique aqui e acompanhe o agro.