Praga invasora no País, a mosca branca causa sérios danos em diversas culturas, com maior impacto econômico em pimentão, soja e algodão.

Uma raça de inseto capaz de ser naturalmente mais resistente a uma série de inseticidas usados na agricultura acaba de ser identificada, pela primeira vez, em terras mato-grossenses. A mosca branca (Bemisia tabaci) do biótipo Q foi localizada em uma floricultura da cidade de Sinop (MT).

A descoberta preocupa, porque ainda não é de conhecimento dos cientistas se já existe a presença dela em lavouras da região. Praga invasora no País e transmissora de viroses, a mosca branca causa sérios danos em diversas culturas, com maior impacto econômico em pimentão, soja e algodão.

Originária da região do Mar Mediterrâneo, esse tipo de inseto (do biótipo Q) foi identificado pela primeira vez no País em 2014, por um grupo de pesquisadores do Rio Grande do Sul. Desta vez, em Mato Grosso, ela foi localizada pelo professor Rafael Pitta, engenheiro agrônomo, doutor em Entomologia e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Ele teve o auxílio de alunos de graduação do curso de Agronomia da Universidade Federal de Mato Grosso e a a ajuda de pesquisadores da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp, de Botucatu/SP), local onde foi feita a identificação por meio da biologia molecular. De acordo com a Embrapa, a análise do DNA é a única forma de diferenciar as raças, uma vez que elas são visualmente idênticas.

Em MT, moscas brancas foram encontradas em tomateiro, hibisco, rabo de gato, trombeta de anjo e lantana, em uma floricultura e nos jardins das próprias residências. Foto: Divulgação/Meramente ilustrativa

Casos frequentes em plantios de flores

Desde sua descoberta em solo sul rio-grandense, a mosca branca vem se espalhando pelo País, tendo sido encontrada em outros Estados do Sul do Brasil, além de São Paulo e Goiás.

Especialista em controle estratégico de insetos-praga em sistemas produtivos e manejo da resistência de insetos a inseticidas, Rafael Pitta relata que a iniciativa da busca pela praga em Mato Grosso começou após assistir a uma apresentação em um evento científico, quando soube que essa raça de mosca branca está presente em plantios de flores, no Estado de São Paulo.

Logo ele supôs: como as plantas daquela região são enviadas para todo o País, possivelmente já haveria indivíduos em outras regiões. Dito e feito!

Alunos de uma disciplina ministrada pelo pesquisador da Embrapa, no curso de Agronomia da UFMT, coletaram moscas brancas em tomateiro, hibisco, rabo de gato, trombeta de anjo e lantana, em uma floricultura e nos jardins das próprias residências.

Complexo de biótipos

De todos os insetos do gênero analisados, dois dos cinco presentes na lantana eram do biótipo Q. As demais eram do biótipo B (Bemisia tabaci Middle East Asia Menor 1 – MEAM1), mais comum na região.

Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) lembram que muitos cientistas, que lá no passado rejeitaram a existência da mosca branca do tipo Bemisia argentifolli, aqui no Brasil, passaram a tratar todo e qualquer tipo de mosca branca como sendo do gênero Bemisia tabaci, mas divididas em biótipos: A, B, Q, entre outros.