O sorgo está entre os cereais mais plantados no globo, destacando-se por sua maior tolerância ao estresse hídrico quando comparado a outras culturas. Geralmente, o cultivo deste grão é realizado em épocas mais tardias, em que o volume de chuvas esperado não é suficiente para a cultura do milho.

Por ser mais resistente à falta de chuva, o sorgo é uma das culturas recomendadas para a região Nordeste do Brasil. O pesquisador Cícero Beserra de Menezes, da Embrapa Milho e Sorgo, ressalta os benefícios dessa cultura e diz por que ela é uma das mais resistente ao déficit hídrico.

 “O sorgo está entre os cereais mais tolerantes à seca, junto com o milheto, podendo se adaptar plenamente no Nordeste. Este cereal é oriundo da África, de um clima bem semelhante, ou até mais drástico, do que o semiárido nordestino. O sorgo possui mecanismos de tolerância à seca, como o sistema radicular mais profundo e ramificado, o que o torna mais eficiente na extração de água do solo”, relata.

“A tolerância está relacionada à fisiologia da planta, em que ela diminui seu metabolismo, murcha e enrola a folha em condições de seca, e depois recupera o estado normal quando a umidade retorna ao solo. O sorgo também possui uma substância cerosa na junção entre a bainha e o limbo foliar, o que o leva a perder menos água durante a transpiração, resultando em maior economia, principalmente em condições de estresse hídrico. Tanto o sorgo granífero quanto o silageiro possuem estas caraterísticas”, explica Menezes.  

Experiência no campo

A experiência no campo comprova as qualidades de duas cultivares de sorgo e a resistência da cultura ao déficit hídrico. Na Fazenda Tijuca, localizada em Beberibe, município do Ceará, são cultivadas lavouras de sorgo silageiro BRS Ponta Negra e de sorgo granífero BRS 373. O sorgo BRS 373 é cultivado em consórcio com a lavoura de caju.  E o Ponta Negra é utilizado para silagem, que alimenta o gado de leite.

Na fazenda, os trabalhos são coordenados pelos agricultores Adalberto Pereira Lima e Arthur Nilson dos Santos. “As tecnologias BRS desenvolvidas na Embrapa Milho e Sorgo contribuem para o desenvolvimento regional”, diz Lima.

O engenheiro agrônomo Sinval Resende Lopes, do setor de Transferência de Tecnologias da Embrapa Milho e Sorgo, acompanhou as atividades realizadas na Fazenda Tijuca. “Em uma visita fizemos a análise de impacto econômico, social e ambiental das tecnologias BRS em ambiente produtivo. É a Embrapa trabalhando com inteligência competitiva, estabelecendo parcerias com o setor privado e o setor produtivo para garantir o abastecimento mesmo em tempos de pandemia”, disse.

Uma das atividades da Tijuca consiste no consórcio do cajueiro anão em cultivo orgânico com o sorgo BRS 373. A área cultivada é de 350 hectares. O controle biológico de pragas é realizado por meio da tecnologia do biopesticidas à base da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt).

Além da produção de castanha e do aproveitamento do caju (pedúnculo) para a produção de suco, a área de 350 ha, em integração, viabiliza a produção de grãos e de forragem para a suplementação do rebanho leiteiro. São produzidos sete mil litros de leite por dia.

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Em outra lavoura da propriedade é feito o cultivo exclusivo do Sorgo BRS Ponta Negra, em uma área de 400 hectares. Nessa área, também é utilizado o Bt para controle de pragas.