Elas são as mais vulneráveis aos desastres naturais e também as mais atuantes no processo de recuperação

A Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que as mulheres são as mais vulneráveis aos desastres naturais, pois além de representar o maior número de mortos, são as responsáveis pelos cuidados com as vítimas em um contexto onde os sistemas alimentares normalmente estão destruídos. Mas elas também têm um papel importante no aumento da resiliência e no processo de recuperação após os desastres.

Em 2017, a situação das mulheres foi discutida na Conferência da 5ª Plataforma Global para a Redução do Risco de Desastre, realizada em Cancún, no México. A pedido da Comunidade de Estados da América Latina e Caribe (Celac), a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) trabalhou no sentido de criar uma estratégia regional de ações para redução de risco no setor agrícola com perspectiva de gênero.

A reunião técnica para construção das diretrizes e recomendações para a implementação do Marco de Sendai no setor agrícola e de segurança alimentar e nutricional, realizada no Chile, teve importante contribuição do Brasil. O Marco de Sendai se insere no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), busca reduzir as perdas de vidas e meios de subsistência e aumentar a resiliência das comunidades aos perigos naturais num período de mudança climática até 2030.

Segundo Anna Ricoy, oficial da FAO para Gestão de Riscos e Desastres, o Marco de Sendai é um documento bastante objetivo: “É um instrumento muito útil para abarcar a gestão de risco e desastre e de resiliência de uma maneira holística e eficaz no contexto regional, nacional e setorial, integrando marcos políticos institucionais, governança e todo tipo de conhecimento”.

As estratégias desenhadas para comunidades mais resilientes e redução dos desastres têm como referência a agricultura familiar e as populações vulneráveis, onde estão as mulheres rurais. A experiência apresentada pelo Brasil no evento, de convivência das mulheres com o semiárido, demonstra a importância das políticas para a promoção da autonomia das mulheres rurais em contextos econômicos, sociais e ambientais.

Para Geise Mascarenhas, representante do Brasil no evento, “a experiência apresentada pelo Brasil, de articulação interinstitucional envolvendo governo, universidades e sociedade civil, colaborou para a criação de uma ambiência favorável à inovação e apropriação de uma tecnologia social por parte das mulheres, possibilitando a produção de alimentos e a criação de pequenos animais a partir da reutilização da água doméstica, contribuindo para a segurança alimentar, geração de renda e fortalecimento de capacidades e resiliência às mudanças climáticas”.