Tradicionalmente, o aumento da oferta gerado pela colheita pressiona as cotações para baixo. Contudo, a dinâmica atual rompe essa tendência histórica devido a uma combinação de fatores internos e externos que redefinem as expectativas de oferta e demanda. A forte influência do cenário internacional, somada aos receios climáticos para o curto e médio prazo, impulsiona os valores praticados no país e altera a estratégia dos agentes do setor agropecuário.
No ambiente interno, a postura dos produtores rurais tornou-se predominantemente cautelosa. Observa-se uma nítida retração nas intenções de venda, afetando tanto as negociações no mercado físico quanto as fixações para entrega futura e as operações voltadas à exportação. Cientes das incertezas produtivas e antecipando novos ciclos de alta nos valores da saca, os agricultores optam por segurar os lotes estocados, limitando o volume de grão disponível para comercialização imediata. Esse represamento da oferta forçou os compradores, que operam com estoques reduzidos e necessitam recompor suas reservas operacionais, a ceder às pressões do mercado, elevando gradativamente os valores oferecidos para conseguir fechar novos negócios.
Fora do Brasil, o cenário global atua como um pilar fundamental para a manutenção deste patamar elevado. Nos Estados Unidos (EUA), importante termômetro para as commodities agrícolas globais, as recentes estimativas apontam para uma frustração na produtividade das lavouras. A perspectiva de uma safra norte-americana menor reduz a disponibilidade global do grão, provocando valorizações expressivas nas bolsas de mercadorias internacionais, como a Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Essa alta externa reflete-se diretamente na formação do preço de paridade de exportação no Brasil, encarecendo o grão no mercado interno.





