A indústria de café no Brasil avalia que a restrição na oferta do grão para suas atividades deve-se a uma questão de preço, mas está “um pouco apreensiva”, caso esse cenário se prolongue, disse nesta terça-feira o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Ricardo Silveira
Na semana passada, a Reuters mostrou que produtores estão segurando a safra recém-colhida à espera de cotações mais atrativas. Além disso, indefinições sobre o tamanho da colheita no próximo ano, dada a estiagem recente, também deixam os cafeicultores cautelosos em comercializar seu produto.
“Já era esperado que a safra deste ano fosse menor, porque é um ciclo de baixa (para o arábica). Mas com os preços em queda, a oferta está ainda mais seletiva (para a indústria). Se o produtor acha que não está sendo remunerado com esses preços, ele segura o café”, comentou Silveira no intervalo de evento da Abic, em São Paulo, para premiar as melhores marcas de café de 2017.
Pelos dados mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2017 de café no Brasil será 12,8 por cento menor ante a de 2016, com 44,77 milhões de sacas, puxada para baixo justamente pela menor produção de arábica.
Para o próximo ano, Silveira disse apenas que as perspectivas são preocupantes em razão da falta de chuvas nas principais áreas produtoras do Brasil nas últimas semanas, condição climática que fez o setor deixar de apostar em uma supersafra.
Indagado sobre a necessidade de importação de café em um cenário assim, o presidente da Abic disse que este é um assunto “dormente” por ora.
“Pelo que sabemos, já está tudo certo para se autorizar a importação de café, mas estamos em um governo de transição. Então esse assunto ficará só para o próximo governo, após as eleições de 2018”, explicou.
A indústria pleiteou com força anteriormente a liberação de importação de café verde como forma de compensar a quebra de safra de conilon (robusta) no Espírito Santo.



