Proposta inclui milho, cana-de-açúcar e carne na lista de cobrança.

Mato Grosso se agigantou nas últimas décadas, tornando-se o principal produtor nacional de soja, de milho, de algodão e líder na pecuária.

Como em todos os estados brasileiros, porém, os déficits de caixa tornam as administrações insustentáveis.

No caso específico dos mato-grossenses, uma das saídas é a busca de crédito na agropecuária, um setor que movimenta boa parte do PIB (Produto Interno Bruto) do estado.

Governo e produtores estão em um embate para definir a participação do setor nessa crise financeira.

Na quinta (17), o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), assinou decreto de calamidade financeira do estado.

A dosagem das alíquotas de contribuição e o momento em que elas estão sendo aplicadas, contudo, podem comprometer a competitividade e a liquidez do produtor em relação às dos outros estados.

O governo está propondo novas alíquotas e ampliando o leque de commodities que passarão a pagar um pedágio neste momento conturbado da economia. Além disso, as taxas vão recair também sobre as operações de exportação.

A arrecadação passa pelo Fethab (Fundo Estadual de Transporte e Habitação), criado para desenvolver infraestrutura e habitação com recursos oriundos da comercialização de commodities.

Após arrecadações de R$ 420 milhões em 2016 e de R$ 820 milhões em 2017, o fundo somou R$ 971 milhões em 2018. Para este ano, o governo espera uma contribuição de R$ 1,5 bilhão.

Esse custo maior para os produtores ocorre em um período de redução de preços das commodities. Como as contribuições são fixas, tendo como base um percentual da Unidade de Padrão Fiscal do estado, quanto mais os preços das commodities caírem, maiores serão as perdas de margem dos produtores.

Na nova proposta do governo, os produtores de soja vão pagar R$ 2,34 por saca de soja, e os de algodão, R$ 4,17 por arroba.

Esses valores incidem sobre a alíquota de exportação, a mais onerosa. O produto comercializado internamente no estado terá uma taxa menor. O problema é como definir a soja e o algodão que ficam no estado e o volume que deixará Mato Grosso.