O Atlântico testemunhou a fúria do furacão Milton em outubro de 2024. Evoluindo de uma tempestade tropical em 6 de outubro para um furacão de categoria 5 em apenas 24 horas, Milton atingiu ventos de 290 km/h (180 mph), tornando-se o quinto furacão mais forte já registrado no Atlântico. Com uma pressão barométrica incrivelmente baixa e um olho minúsculo, apelidado de “furo de algulha”, Milton atingiu a Flórida perto de Siesta Key em 9 de outubro como um furacão de categoria 3.

Milton: Uma trilha de devastação na Flórida

A Flórida, ainda se recuperando dos impactos do furacão Helene algumas semanas antes, enfrentou a ira de Milton. Este foi o quinto furacão a atingir o estado desde 2022, destacando a crescente vulnerabilidade da região a eventos climáticos extremos. Os danos e perdas econômicas de Milton são estimados entre US$ 160 bilhões e US$ 180 bilhões, tornando-o uma das tempestades mais caras da história da Flórida.

A maré de tempestade de Milton, atingindo pelo menos 1,5 a 1,8 metros (cinco a seis pés), inundou comunidades costeiras. St. Petersburg registrou um evento de chuva excepcional, com quase 483 mm (19 polegadas) caindo em um período curto. Tragicamente, o furacão causou 17 mortes em oito condados da Flórida, muitas delas resultantes de tornados.

Tornados: Um perigo secundário devastador

Um dos impactos mais notáveis de Milton foi o grande número de tornados gerados pela tempestade. Enquanto a Flórida normalmente registra uma média de 50 tornados por ano, Milton gerou quase 40 tornados antes e durante sua chegada à terra, levando ao maior número de avisos de tornado já emitidos pela Flórida em um único dia – 126. Em Fort Pierce, seis vidas foram perdidas quando tornados atingiram uma comunidade de aposentados, composta principalmente por casas modulares. Isso destaca os perigos “secundários” frequentemente associados aos furacões, como tornados, que podem ser tão devastadores quanto os ventos do furacão.

Impactos em outros estados e o debate sobre os danos

O impacto de Milton se estendeu além da Flórida, com quedas de energia relatadas na Carolina do Norte e Geórgia. Embora a tempestade tenha enfraquecido ao avançar para o interior, os danos causados pelos ventos e inundações foram extensos, deixando milhares sem energia por dias.

As estimativas das perdas seguradas de Milton variam entre US$ 20 bilhões e US$ 50 bilhões. Essa divergência ocorre devido a fatores como a trajetória sul da tempestade, que poupou a Baía de Tampa de um impacto direto, a extensão dos danos causados pelos tornados e o potencial para litígios no ambiente jurídico complexo da Flórida. Além disso, a sobreposição de danos com o furacão Helene complica a avaliação, dificultando a determinação de qual tempestade causou quais danos específicos.