Poder de compra do sojicultor frente ao insumo é o pior desde abril/10, quando 30,31 sacas compravam uma tonelada do adubo
A relação desfavorável ao produtor na troca de soja pelo fertilizante está provocando atraso na compra do insumo que será utilizado no segundo semestre, no preparo da terra para o plantio da safra 2019/2020. A constatação é dos pesquisadores do Instituto de Estudos Avançados em Economia (Cepea/Esalq/USP).
Segundo o Cepea, em março deste ano os produtores ainda não tinham fechado negócios em Cascavel (PR), enquanto em março/18 em média 5% das compras dos fertilizantes já travadas. Em Passo Fundo (RS), a comercialização também está estagnada, com 0% negociado, contra 20% no mesmo período do ano passado.
Já para as praças do Cerrado, em Sorriso (MT), a comercialização está cadenciada, tendo 42% das aquisições realizadas, contra 50,5% em março/18. Em Luís Eduardo Magalhães (BA), as compras estão em patamares semelhantes às do ano anterior, tendo 20% das aquisições já realizadas, diz o Cepea.

Os pesquisadores explicam que após registrar movimento de alta em praticamente todo o ano passado, os preços dos fertilizantes caíram nos primeiros meses de 2019. “Ainda assim, as cotações atuais estão acima das observadas em 2017, ano em que os valores do insumo favoreciam a relação de troca do sojicultor.”
Eles lembram que os altos patamares de preços dos fertilizantes no ano passado estiveram atrelados à valorização do dólar frente ao Real, à instabilidade logística ocasionada pela paralisação dos transportadores rodoviários e aos aumentos nas cotações das principais matérias- primas no mercado internacional.


