Para especialista, agropecuária paulista pode se beneficiar por nichos de mercado com a produção de leite A2A2, confira a matéria completa.

Uma fazenda de Descalvado (SP) está despontando no mercado nacional de leite por produzir um tipo de produto que é de digestão mais fácil. É o leite tipo A2A2, produzido por vacas holandesas cujo leite é livre de beta-caseína A1, proteína que nem todas as pessoas conseguem assimilar tão bem após o consumo. Se trata de um novo nicho de mercado explorado por pecuaristas no Estado.

Investimentos e inovação

Na propriedade rural, o investimento no mercado de leite A2A2 começou em 2016. Todo o rebanho foi separado conforme a produção de leite. O produto A2A2, mais valorizado, é pasteurizado e vai para os supermercados. Já o A1A1 é vendido para a indústria de laticínios ainda cru, de acordo com Diana Jank, gerente de marketing da empresa.

Nós temos ainda uma quantidade de leite A1 produzida na fazenda. Esse leite vendemos para a indústria no formato B2B (business-to-business, fornecimento de empresa para empresa numa tradução livre)“, explica.

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A produção de leite só com a proteína beta-caseína A2 é determinada por fatores genéticos. Vacas com genes “A2” sempre produzem leite “A2A2“. O mesmo acontece com o gado com genes A1. Leites produzidos por cabras e ovelhas, além de humanos, têm a proteína A2 e são conhecidos pela boa digestão. Já as vacas A1A2 podem produzir leite A1 ou A2.

Segundo Diana, a fazenda da família dela foi a primeira no país a ter 100% do rebanho certificado. As vacas holandesas da propriedade com genes A2 são fertilizadas com sêmens de touros A2 e o resultado são bezerras A2 também. Todos os animais são identificados com brincos. A separação é integral entre os rebanhos A1 e A2. “O aparelho de ordenha tem um chip que lê o brinco, então nunca misturamos os leites. As primeiras ordenhas do dia são de vacas A2 e depois de vacas A1. Não podemos em hipótese alguma podemos misturar os leites“, frisa.

leite a2a2

O interesse do mercado por leites e derivados A2A2 surgiu em 2003 na Nova Zelândia, com a primeira marca com leite 100% de proteína beta-caseína A2. Através de análises genéticas, a fazendeiros neozelandeses conseguiram separar os rebanhos e especializar na produção deste tipo de produto. O processo era patenteado até 2015. Raças zebuínas e a Guernsey são quase que exclusivamente A2. A raça holandesa tem predominância do gene A1, porém, com cruzamentos é possível deixar o rebanho totalmente A2.

Nós pegamos pelos de todo o rebanho, enviamos para laboratórios dos Estados Unidos, onde foram feitas a genotipagem (separação genética) das vacas e fizemos a separação delas. Como já produzimos leite tipo A, com rastreabilidade completa de todas as vacas que nascem, fica mais fácil agora fazer essa separação“, explica.

As beta-caseínas representam 30% das proteínas presentes no leite e são moléculas orgânicas que têm composição complexa, formadas por verdadeiras cadeias de um ou mais aminoácidos ou peptídeos. No caso do leite A1, a proteína beta-caseína A1 quando entra no sistema digestivo é quebrada em outros compostos. Um deles é a beta-casomorfina-7 (BCM-7), que causa mal-estar em algumas pessoas. É esse público que a produção de leite A2A2 está buscando, segundo o produtor rural Roberto Jank.