Fazenda da Boi Gordo em Comodoro foi comprada em leilão da massa falida em 2018 por R$ 28,8 milhões por um fundo de investimento
Uma propriedade de 6.133 hectares que pertenceu à massa falida das Fazendas Reunidas Boi Gordo S.A. foi vendida em Mato Grosso por R$ 146 milhões. Localizada no município de Comodoro, 640 quilômetros a noroeste de Cuiabá, a fazenda foi adquirida por meio de leilão em 2017 pela AGBI Real Assets por R$ 28,8 milhões. Cinco anos depois da compra, a gestora entregou aos investidores uma rentabilidade de 3,15 vezes o valor investido e uma taxa interna de retorno de 22,3% ao ano.
O comprador não teve seu nome revelado, mas segundo Gustavo Fonseca, sócio da AGBI, é um grande produtor de grãos que já atua na região. Durante esses cinco anos que a fazenda esteve sob a posse e gestão do fundo, 2.765 hectares de pastagens foram convertidos em áreas agrícolas, o que permitiu que a área tivesse uma valorização superior à valorização das terras, medida pela IHS Markit. No mesmo período, o dólar teve uma valorização de 51,3%, o Ibovespa subiu 55,8% e a NTN-B acumulou ganhos de 66,6%.
“A compra da fazenda da Boi Gordo não foi nosso primeiro investimento, mas ele foi muito importante para desenvolver uma região que estava mais atrasada em relação a outras. Naquela época, Campos de Júlio, um município vizinho estava muito mais desenvolvido do que Comodoro”, afirma Fonseca. O gestor lembra que a estratégia do fundo é exatamente comprar propriedades em regiões onde a agricultura esteja se desenvolvendo, especialmente fazendas com pastagens degradadas, convertê-las e vendê-las posteriormente a valores mais elevados.
A venda da fazenda em Comodoro, que fazia parte do fundo Brasil Agro II FIP, foi o segundo desinvestimento da AGBI em seis meses. Em outubro do ano passado, a gestora liquidou seu primeiro veículo de investimento, em um negócio de R$ 178 milhões e está no momento em fase de captação do AGBI III Carbon, fundo que pretende levantar até R$ 500 milhões. Na estratégia, além do investimento para se obter a valorização da terra em si, o fundo pretende ser o primeiro a comercializar os créditos de carbono gerados e entregar o resultado financeiro da venda como um retorno adicional aos investidores.
Histórico da Boi Gordo
O grupo Fazendas Reunidas Boi Gordo foi fundada por Paulo Roberto de Andrade no fim dos anos 90 e é considerado até hoje um dos maiores golpes financeiros do Brasil, que usava o sistema de pirâmide para atrair investidores. Estima-se que os prejuízos deixados pela arquitetura da empresa superem a casa de R$ 6 bilhões.
A empresa vendia aos interessados títulos da Boi Gordo que prometiam uma rentabilidade de 40% no prazo de 18 meses, a partir da criação de gado em fazendas das regiões Centro-Oeste e Sudeste. Como uma boa pirâmide, ela remunerava os investidores com os recursos captados junto aos novos clientes que entravam no sistema.
O negócio tinha como garoto-propaganda o ator Antônio Fagundes, protagonista à época da novela O Rei do Gado, onde a Boi Gordo fazia inserções publicitárias nos intervalos comerciais. A empresa manteve suas operações até 2001, quando os primeiros investidores começaram a ter dificuldade em realizar os saques dos seus rendimentos. Em 2003, a Boi Gordo pediu concordata e foi vendida de forma fraudulenta, deixando para traz milhares de investidores, desde pessoas comuns a atores, jogadores de futebol e empresários.
Depois dessa é importante ficar atento a novos golpes usando a mesma promessa de dinheiro fácil e rentável. Abaixo você pode conferir os detalhes mais importante para não ser pego por um sistema de pirâmides financeiras, acompanhe.
O que é uma pirâmide financeira e como funciona?
A pirâmide financeira é um esquema cuja remuneração se baseia na entrada de novos participantes, por meio do pagamento de uma determinada quantia. Assim, embora o golpista tente apresentar um modelo de negócio sustentável, a fraude depende do recrutamento de mais pessoas.
É comum que as pirâmides sejam apresentadas como empresas ou investimentos. Desse modo, o criminoso pode atrair pessoas com a promessa de altos ganhos na venda de produtos ou no aporte em alternativas do mercado financeiro.
Contudo, o processo apresentado é apenas de fachada. Mesmo que alguns participantes consigam sacar “lucros”, eles não vêm de produtos ou investimentos, mas da entrada de mais pessoas. Com o tempo, o golpista costuma fugir com o dinheiro acumulado das vítimas.
O golpe recebe a nomenclatura de pirâmide financeira porque ele começa com um participante no topo e se torna mais largo à medida que são recrutadas outras pessoas. Logo, ele se assemelha a uma estrutura piramidal — em que as pessoas da base sustentam o topo.




