As negociações foram retomadas depois de mais de dez anos, mas, a depender de alguns governos europeus, devem voltar para o final da fila e continuar por lá.
O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, cujas conversas estavam praticamente paralisadas desde 2004, pode significar 14 bilhões de euros (R$ 50,3 bilhões) em exportações, num prazo de dez anos, para o bloco sul-americano. Os dados foram publicados pela própria Comissão Europeia que, em um estudo sobre o impacto dos tratados que negocia, revela que o Mercosul seria o bloco que mais ganharia em termos de vendas de bens agrícolas.
O estudo foi preparado para informar aos governos do bloco europeu sobre as consequências de doze tratados bilaterais e regionais que Bruxelas está negociando com diversos parceiros, entre eles o Mercosul. O levantamento foi solicitado por governos, liderados pela França, que querem uma interrupção de qualquer iniciativa que possa significar a abertura de seu mercado para a concorrência externa no setor agrícola.
A estimativa aponta que, até 2025, os europeus ampliariam em 29 bilhões de euros suas compras de produtos agrícolas de países envolvidos em acordos comerciais com Bruxelas. Metade viria do Mercosul, mesmo com um tratado modesto e sem amplos cortes.
No total, isso representaria um salto em 24% nas exportações do Cone Sul para o mercado europeu. No caso de um pacote ambicioso de liberalização, o total de ganhos para o Mercosul chegaria a 18 bilhões de euros.
Os ganhos do bloco sul-americano com um acordo, na estimativa dos próprios europeus, seriam quase três vezes maiores do que os americanos poderiam obter no setor agrícola com um eventual tratado de comércio com a UE. Segundo as estimativas oficiais de Bruxelas, os exportadores dos EUA registrariam um incremento em 4,8 bilhões de euros em vendas até 2025.
Um dos principais ganhos viria do setor de carnes. No segmento de produtos bovinos, o estudo da UE estima que “mais de 80% do aumento de importações viria do Mercosul”. “A balança de comércio se deteriorará profundamente”, admitiu a Comissão Europeia. O aumento em vendas para o bloco do Cone Sul seria de pelo menos 1,4 bilhão de euros.
Outros 900 milhões de euros ainda seriam gerados no aumento de espaço para a carne suína e frangos do Mercosul no mercado europeu.



