A agropecuária, provavelmente a única atividade que terá crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano, está ajudando na recuperação de empregos formais no País, em meio a um mercado de trabalho ainda em crise.
Abril marcou o fundo do poço para o trabalho com carteira assinada no País, com quase 1 milhão de dispensas, mas, desde que a atividade econômica começou a dar sinais de melhora, em maio, oito dos dez municípios que mais contrataram nos três meses seguintes têm em comum o agronegócio, segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
“Nenhum deles é capital, são municípios muito ligados ao setor agropecuário”, ressaltou o economista Fabio Bentes, autor do estudo da CNC.
De maio a julho, na reabertura gradual de atividades em meio à pandemia, os dez municípios que mais abriram postos de trabalho com carteira assinada foram Matão/SP (5.680 vagas); Bebedouro/SP (5.281 vagas); Parauapebas/PA (2.859 vagas); Anápolis/GO (1.413 vagas); Sapezal/MT (1.257 vagas); União/PI (1.240 vagas); Mogi-Guaçu/SP (1.167 vagas); Colombia/SP (1.162 vagas); Dourados/MS (1.154 vagas); e Cristalina/GO (1.149 vagas).
“Todos eles têm a economia predominantemente ligada ao agronegócio, exceto Parauapebas e Anápolis”, apontou Bentes.
Entre as dez profissões que mais contrataram trabalhadores com carteira assinada de maio a julho, três são diretamente ligadas ao agronegócio: trabalhador no cultivo de árvores frutíferas, com mais de 25 mil vagas; trabalhador volante da agricultura, mais de 10 mil vagas; e trabalhador da cultura de café, quase 9 mil vagas.
Os trabalhadores mais demandados no trimestre de maio a julho foram os mais jovens e com baixa instrução, mostraram os dados desagregados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), compilados pela CNC.
De maio a julho, o mercado de trabalho extinguiu 244.502 vagas. No entanto, na faixa etária de trabalhadores até 18 anos, foram criadas 54.988 vagas. De 19 a 25 anos, foram abertos 65.414 postos formais.
“Fica muito claro que tem uma demanda por trabalhadores menos qualificados nesse momento. O trabalhador jovem é mais barato do que um trabalhador mais qualificado”, contou Bentes.
O Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário foi o único componente da economia brasileira com desempenho positivo no segundo trimestre, sob a ótica da oferta. Os dados das Contas Nacionais Trimestrais, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram um avanço de 0,4% no PIB agropecuário em relação ao primeiro trimestre, a despeito da recessão causada pela pandemia do novo coronavírus. No mesmo período, a atividade econômica brasileira como um todo teve uma retração de 9,7%.




