O mercado do feijão atravessa um momento de forte ebulição, caracterizado por novas e expressivas valorizações que consolidam uma firme tendência de alta ao longo de todo o mês de maio, veja mais informações
Esse comportamento de alta atinge com especial intensidade o feijão preto, embora o feijão carioca também registre marcas históricas importantes. A conjuntura atual é o resultado direto de uma combinação complexa de fatores, que envolve desde severas adversidades climáticas na Região Sul do País até decisões estratégicas de plantio que resultaram em uma menor área cultivada nesta temporada.
Com a oferta encurtada e a necessidade constante de abastecimento, o mercado atacadista e as redes de varejo travam uma disputa acirrada pelos lotes disponíveis, impulsionando os preços em toda a cadeia produtiva.
No segmento específico do feijão preto, a demanda por lotes recém-colhidos tem sido o principal motor para a sustentação e o avanço contínuo das cotações. Tradicionalmente consumido em grandes centros urbanos do país, o grão preto sofreu um duplo impacto na sua estrutura de oferta. Por um lado, as lavouras do Sul principal polo produtor desse tipo de feijão no período enfrentaram excessos de chuva e eventos climáticos extremos que comprometeram tanto o volume total colhido quanto o rendimento por hectare. Por outro lado, os produtores já haviam reduzido o espaço destinado a essa cultura no início do ciclo, optando por outras commodities que pareciam financeiramente mais atraentes na época.
O resultado prático desse cenário é a escassez física do produto de padrão comercial superior, o que obriga os empacotadores a pagarem prêmios elevados para garantir o produto nas gôndolas dos supermercados.
Enquanto o feijão preto exibe um ritmo acelerado de negócios devido à urgência dos compradores, o mercado do feijão carioca apresenta uma dinâmica ligeiramente distinta, embora não menos valorizada. As negociações envolvendo o feijão carioca permaneceram mais limitadas e cadenciadas nas últimas semanas. Esse ritmo mais lento decorre, majoritariamente, da postura extremamente cautelosa adotada pelos compradores e intermediários.
Diante dos patamares elevados de preço praticados na ponta final, os atacados evitam acumular grandes estoques desnecessários, temendo uma eventual retração no consumo doméstico ou uma reversão repentina nas cotações. Eles preferem operar na modalidade “da mão para a boca”, adquirindo apenas o estritamente necessário para cumprir seus compromissos imediatos de entrega.
Apesar dessa postura defensiva e do volume contido de transações, os preços do feijão carioca não dão sinais de arrefecimento. A explicação para a resiliência dos preços reside na forte restrição de oferta de grãos de melhor qualidade (as chamadas notas 9 e 10). O clima irregular também afetou o visual e o cozimento do carioca, tornando raros os lotes com grãos claros e padronizados.
Como a indústria exige esse padrão para atender às exigências do consumidor brasileiro, a disputa por esses poucos lotes de excelência continua sustentando as tabelas de preços em patamares elevados. Como reflexo definitivo desse aperto entre oferta qualificada e demanda, os preços do feijão carioca alcançam, a cada nova semana, recordes nominais da série histórica do indicador Cepea/CNA, que passou a acompanhar o mercado em setembro de 2024. A tendência para o curto prazo aponta para a manutenção desse ambiente de preços firmes, pelo menos até que o volume da próxima safra comece a entrar no mercado de forma regular. Clique aqui e acompanhe o agro.
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