Soja (MT)R$ 134,52+0.40%
Milho (MT)R$ 47,99+0.27%
Algodão (MT)R$ 137,67-0.13%
Boi Gordo (MT)R$ 319,94+0.20%
Leite (MT)R$ 2,40+5.83%
Soja (MT)R$ 134,52+0.40%
Milho (MT)R$ 47,99+0.27%
Algodão (MT)R$ 137,67-0.13%
Boi Gordo (MT)R$ 319,94+0.20%
Leite (MT)R$ 2,40+5.83%
Soja (MT)R$ 134,52+0.40%
Milho (MT)R$ 47,99+0.27%
Algodão (MT)R$ 137,67-0.13%
Boi Gordo (MT)R$ 319,94+0.20%
Leite (MT)R$ 2,40+5.83%

Brent rompe US$ 104 e milho bate R$ 53 em MT na véspera do USDA

milho mercado financeiro Cepea B3

A quinta-feira abre com as mesas de negociação operando em alta voltagem e sob forte pressão externa. A crise militar global não dá trégua e empurra o barril de petróleo tipo Brent para além da marca de US$ 104,00, adicionando um prêmio de risco vertical sobre a matriz de transportes e de fertilizantes. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os grãos operam no terreno positivo em compasso de espera pelo aguardado relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado nesta sexta-feira.

Em solo mato-grossense, as praças físicas refletem a força do consumo interno, sustentando o milho em patamares elevados e definindo balizadores claros para a comercialização de soja disponível e futura.

Abaixo, os fundamentos que ditam o ritmo dos negócios nesta manhã direto da nossa redação em Cuiabá.

O front macro: Brent supera US$ 104 e aprofunda impasse militar

No mercado de energia, a trajetória altista ganhou nova aceleração. O barril de petróleo tipo Brent registra alta de mais de 3%, rompendo a barreira de US$ 104,00.

A escalada bélica não apresenta sinais de arrefecimento diplomático: os confrontos militares entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico, somados à intensificação dos ataques entre Rússia e Ucrânia na região do Mar Negro, mantêm o fluxo energético global sob severa restrição. A continuidade desse choque nos preços do petróleo acende o alerta inflacionário global e incide diretamente sobre o agronegócio, encarecendo o combustível, a cadeia de logística marítima e os fertilizantes nitrogenados na véspera da abertura do plantio da safra de verão brasileira.

Complexo Soja: Véspera de relatório, clima no Corn Belt e apetite da China

Na CBOT, os contratos futuros de soja trabalham no campo positivo. As atenções do mercado estão voltadas para o boletim mensal do USDA, que trará novas estimativas de produção e produtividade para a safra norte-americana.

Dois vetores sustentam o viés de alta da oleaginosa nesta sessão:

  1. Monitoramento Climático: Regiões vitais do Corn Belt voltaram a registrar tempo quente e seco nos últimos dias, reacendendo as preocupações com o peso e a qualidade final dos grãos no fechamento do ciclo.
  2. Demanda Chinesa Ativa: O fluxo de compras internacionais segue vigoroso. O USDA confirmou novas vendas de 340 mil toneladas de soja americana para a China e outras 100 mil toneladas para destinos não revelados, todas referentes à temporada atual. Esse fluxo comprador contínuo limita quedas e impõe um piso firme para as cotações internacionais.

Milho e Trigo: Cereais acompanham movimento altista

Seguindo a toada da soja, o complexo cerealífero amanhece em terreno positivo na bolsa norte-americana. O milho e o trigo ajustam posições antes da divulgação dos números do USDA, amparados tanto pelas condições de tempo seco em áreas produtoras dos EUA quanto pela forte inflação de custos originada pela alta do petróleo e do frete internacional.

Oeste de Mato Grosso: A dinâmica do mercado regional

No mercado físico do interior do estado, as cotações mantêm sustentação com forte participação do consumo doméstico:

  • Soja: O produto disponível na região Oeste trabalha balizado na casa dos R$ 140,00 por saca. Para a safra futura (2026/27), as referências orbitam em torno de R$ 123,00 por saca.
  • Milho: O cereal segue como o grande destaque de valorização local. O milho disponível opera firme na casa de R$ 53,00 por saca, enquanto a posição futura sustenta os R$ 52,00 por saca, impulsionado pelo apetite da indústria de rações e usinas de etanol instaladas na região.

Mercado Financeiro: Dólar retoma alta a R$ 5,131 sob aversão ao risco

No ambiente cambial, a moeda norte-americana volta a ganhar tração frente ao real e trabalha cotada a R$ 5,131 nesta manhã.

O movimento é capitaneado pela aversão global ao risco, impulsionada pelas tensões bélicas no Oriente Médio e no leste europeu. Com os investidores buscando proteção em ativos denominados em moeda forte, o dólar sobe, oferecendo sustentação à paridade de exportação nos portos, mas exigindo cautela na aquisição de insumos importados.

O que levar no radar hoje:

  • Disparada no Petróleo: Brent ultrapassa US$ 104,00 (+3%), mantendo pressão sobre custos de frete marítimo, diesel e adubos.
  • Expectativa com o USDA: CBOT opera em alta na véspera do relatório mensal de oferta e demanda, com os investidores de olho em eventuais revisões de produtividade.
  • Clima Quente no Corn Belt: Retorno do calor e seca em áreas do Meio-Oeste sustenta prêmio de risco na oleaginosa.
  • Compras Asiáticas: USDA confirma 440 mil toneladas de soja vendidas (340 mil t para a China e 100 mil t para destinos não informados).
  • Mercado Físico em MT: Oeste do estado opera com soja disponível a R$ 140,00 e futura a R$ 123,00; milho disponível firma a R$ 53,00 e futuro a R$ 52,00.
  • Câmbio Defensivo: Dólar avança para R$ 5,131, impulsionado pela cautela dos mercados globais diante das guerras internacionais.

A confluência entre o petróleo rompendo os US$ 104 e o dólar em recuperação a R$ 5,13 eleva imediatamente a régua de custos operacionais para a safra 2026/27. Com o milho sustentando patamares rentáveis de R$ 52 a R$ 53 no Oeste de Mato Grosso e a soja disponível operando a R$ 140, a recomendação tática é utilizar essa sustentação dos grãos para travar os pacotes de insumos pendentes antes que o repique do petróleo e da moeda contamine ainda mais os preços dos fertilizantes. Bons negócios a todos!

Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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