Dirigida pelos irmãos Nedson e José Rodrigues Pereira, a Fazenda Cachoeirão, de Bandeirantes, MS, faz integração lavoura-pecuária, investe na precocidade do rebanho e termina animais com mais de 21 arrobas aos dois anos.
Em 1990, a propriedade estava degradada. Ali se praticava uma pecuária extensiva de ciclo completo, de baixa produtividade. A lotação mal chegava a 0,5 unidade animal por hectare (UA/ha), lotes de várias idades se misturavam, cada invernada ocupava mais de 300 ha e os bois (Gir e Indubrasil) eram abatidos aos 4,5 anos, com 17 arrobas. Hoje, 25 anos depois, a Fazenda Cachoeirão, em Bandeirantes, MS, a 115 km da capital, Campo Grande, está entre as mais bem conceituadas e premiadas propriedades de pecuária do Centro-Oeste.
Dentre os títulos, dois bicampeonatos: Prêmio Nelson Pineda de Confinamento em 2010 e 2011 e o Prêmio Qualidade Programa Carrefour em 2010 e 2014. É também a única fazenda tricampeã (2010, 2011 e 2012) do Show da Carcaça, tendo figurado entre as cinco primeiras durante todas as seis edições deste disputado concurso anual promovido pela Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores de Novilho Precoce.
Em 2015, foram inscritos 2.075 animais de 54 pecuaristas. A Cachoeirão também detém o selo e o atestado de adequação Boas Práticas Agropecuárias – Bovinos de Corte Categoria Ouro, concedido em 2013 pela Embrapa. Isso quer dizer que a propriedade atende a 100% dos itens obrigatórios e pelo menos a 80% dos recomendáveis pelo manual BPA em aspectos como gestão, manejo, pastagens, bem-estar animal, reprodução, suplementação, etc.
Foram duas décadas e meia de mudanças. Ainda estão em andamento e, a cada ciclo, produzem resultados melhores. Este ano, por exemplo, a Cachoeirão já abateu todos os animais nascidos em 2013 e alcançou seu melhor desempenho entre machos Nelore de 23/24 meses, que foram para o gancho com as médias de 21,3@ e rendimento de carcaça de 56,3%. Em 2014, o peso médio ficou em 19,5@ e o rendimento em 55%. Além dos Nelores precoces, também produz animais superprecoces (machos meio-sangue e fêmeas e machos tricruzados – resultados de cruzamento triplo) abatidos aos 14 meses de idade com peso médio de 18@ (macho) e 13,5@ (fêmeas).
Sua genética é reconhecida no mercado. A fazenda vende uma média de 90 touros/ano. Em leilão este ano obteve preço médio de R$ 11.000 por lote. Em 2014, a rentabilidade da pecuária na Cachoeirão bateu em R$ 600/ha, com 40% de taxa de desfrute. Mas o que mudou para se chegar a números tão expressivos? Praticamente tudo. A começar pela gestão. Até 1990, a Cachoeirão era administrada somente por Osvaldo Rodrigues Pereira. Em 1991 três dos seus cinco filhos passaram a dividir o comando com ele: Nedson Rodrigues Pereira, José Rodrigues Pereira e Diva Rodrigues Pereira.
‘Tudo misturado’
O quadro era caótico. “Os pastos, enormes, estavam sujos e eram formados por braquiária decumbens e capim jaraguá de 4 a 30 anos de formação. Apesar de o rebanho se manter estável, era boi, vaca, touro, novilha e bezerrada tudo misturado. Meu pai não conseguia acompanhar a evolução da pecuária, que já começava a despontar na época”, lembra o filho Nedson, veterinário que hoje administra a pecuária. Seus irmãos José (agrônomo) e Diva (administradora) são responsáveis, respectivamente, pela agricultura e pelo financeiro do negócio.
