Tão tradicional quanto a Festa, campeonato avalia e premia os melhores berranteiros do País

Tão tradicional quanto a Festa do Peão de Barretos, o berrante faz parte da cultura brasileira e da memória sertaneja. E durante a 62ª edição da festa, a tradição tropeira se mantém viva com o Concurso de Berrante.

“O propósito é manter essa tradição do peão boiadeiro, do condutor da boiada. Homenagear os berranteiros de todo Brasil”, diz Armando Garcia, organizador do concurso.

A competição, que é realizada desde a primeira edição da Festa do Peão, reúne berranteiros do todo o País para eleger quem se sai melhor nas apresentações em cinco tipos de toque. Isso mesmo! Do instrumento feito com os chifres do boi é possível tirar pelo menos cinco toques diferentes. E o som do berrante alcança até três quilômetros de distância.

Uma comissão formada por três juízes avalia o desempenho dos candidatos nos toques: “Saída ou Solta”, som usado para despertar a boiada de manhã; “Estradão”, toque que reanima a boiada na estrada; “Rebatedouro”, toque de aviso de perigo; “Queima do Alho”, aviso aos peões da hora do almoço; e o “Floreia”, um toque livre, que pode ser uma música para divertimento.

E vencer todas essas etapas e ser consagrado com o prêmio de R$ 1.000 não é tarefa fácil. Alceu Garcia, 70 anos, berranteiro que coleciona 38 vitórias na competição masculina em Barretos, diz que um dos segredos é raiz na cultura sertaneja. “É mais fácil para quem tem essa ligação, essa paixão. E também tem gente que nasce com o dom”, diz.

Ainda segundo ele, também é preciso muita dedicação. “Tudo é treino. O berrante é um instrumento musical e também precisa de prática.”