Praga que causa mais incômodo visual do que propriamente econômico, o cupim pode ser eliminado mediante controle químico, biológico ou mecânico
Os cupins são insetos sociais, que apresentam sobreposição de gerações em um mesmo ninho (cupinzeiro), onde dividem tarefas. Para a pecuária, têm maior importância os de montículo, que são aqueles aparentes, que ficam sobre a pastagem, e os subterrâneos.
Embora não causem prejuízos econômicos comprovados cientificamente, esses insetos incomodam a vista de qualquer um, e segundo o pesquisador Marcos Rafael Gusmão, especialista em entomologia aplicada da Embrapa Pecuária Sudeste, não raro acabam por depreciar o valor das terras que ocupam. “Verifica-se que áreas que apresentam altas densidades de cupinzeiros tendem a ser mais desvalorizadas por compradores de terras, que associam a sua presença à perda da fertilidade do solo”, diz. Embora também para isso não haja comprovação, há quem prefira retirar os cupinzeiros do caminho.
De acordo com o pesquisador, o principal dano causado por cupins de montículo, sobretudo aqueles do gênero Cornitermes, é o dano estético na área de pastagem. “Áreas de pastagens não renovadas apresentam aumento do número de cupinzeiros ao longo do tempo;
entretanto, não é significativa a redução da área útil da pastagem em função do aumento do número de cupinzeiros”, afirma Gusmão.
Segundo pesquisas feitas pelos especialistas Cecília Czepak, da Universidade Federal de Goiás, e José Raul Valério, da Embrapa Gado de Corte, em áreas de pastagem com densidades de 78 e 200 cupinzeiros/ha a área útil de pastagem foi reduzida entre 0,4 e 1%. Além do dano estético, as altas densidades de cupinzeiros dificultam o manejo dos animais e o deslocamento de máquinas, podendo servir também de abrigo para animais peçonhentos. Para aqueles produtores decididos a fazer o combate ao inseto, existem algumas opções.
Métodos de controle
De acordo com Gusmão, o controle químico é o método mais efetivo contra os cupins, estando registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento os seguintes princípios ativos nas seguintes formulações: pó molhável (espinosade), fumigante em pastilha (fosfeto de alumínio) e concentrado termonebulizável (clorpirifós). Tanto no caso do pó molhável como do fumigante, as aplicações devem ser localizadas. “Lembre-se de que o cupinzeiro a ser tratado deverá estar ativo; garantindo isso, a recomendação é perfurar o montículo com uma barra de ferro de 3/8 de diâmetro até atingir a câmara celulósica – quando se percebe menor resistência na penetração da barra”, diz o pesquisador. Passados sete dias da primeira aplicação, a atividade do próprio cupinzeiro deve culminar no fechamento do orifício aberto para colocar o veneno. Assim, uma nova aplicação é recomendada, a depender das especificações do fabricante e de orientação técnica.
Gusmão destaca que cada formulação requer equipamento de aplicação específico, para que o ingrediente ativo alcance a câmara celulósica e tenha controle satisfatório. Para formulações diluídas em água, pó molhável e concentrado emulsionável, ele indica que o volume de calda seja aplicado com funil longo. “O tubo longo permite melhor distribuição da calda inseticida no interior do ninho”, afirma. “Já a formulação concentrada termonebulizável requer equipamento termonebulizador, que irá converter, pelo calor, o produto líquido em fumaça, quando em mistura com óleo diesel. A fumaça é introduzida no interior do cupinzeiro até a saturação da colônia, o que é evidenciado pelo escape da fumaça através dos orifícios naturais presentes na base do montículo”, explica o pesquisador. As pastilhas fumigantes devem ser introduzidas no interior do montículo através do canal aberto com barra de ferro. Após aplicação das pastilhas, deve-se vedar, com terra, o canal aberto.



