Boletim CNA destaca atualização das normas de segurança e saúde no trabalho no campo

O boletim semanal da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), referente ao período de 19 a 23 de outubro, destaca a atualização da Norma Regulamentadora (NR) 31, cuja portaria foi assinada nesta semana. A CNA avalia que as mudanças darão segurança às relações de trabalho no campo.

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Nos setores de frutas e hortaliças, o Ministério da Agricultura atendeu a CNA e aprovou a extensão de uso de 17 defensivos agrícolas para Culturas com Suporte Fitossanitário Insuficiente (CSFI).

Também nesta semana, a CNA solicitou à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, apoio para anistia dos débitos tributários relativos à comercialização da produção agropecuária em operações realizadas entre produtores rurais pessoas físicas.

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No cenário internacional, o boletim traz notícias da União Europeia, Reino Unido, estados Unidos e OMC.

Legislação trabalhista

O Governo Federal divulgou a versão revisada da Norma Regulamentadora 31, que trata especificamente de saúde e segurança na agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura. As alterações foram aprovadas em consenso por trabalhadores e empregadores na Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP), fórum do Governo Federal responsável por discutir temas referentes à segurança e à saúde no trabalho, e entram em vigor daqui a um ano. Para a CNA, as alterações simplificam, desburocratizam e conferem maior segurança jurídica às relações de trabalho no meio rural.

Bioinsumos

A CNA tomou posse como representante do segmento empresarial no Conselho Estratégico do Programa Nacional de Bioinsumos, criado no âmbito do Programa Nacional de Bioinsumos (Decreto 10.375/2020), que tem a finalidade de ampliar e de fortalecer a utilização destes produtos no Brasil para beneficiar o setor agropecuário.

Débitos tributários

A CNA solicitou à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, apoio para anistia dos débitos tributários relativos à comercialização da produção agropecuária, em operações realizadas entre produtores rurais estabelecidos como pessoas físicas. O motivo dessa solicitação está nas constantes mudanças no arcabouço legal que rege a cobrança da contribuição previdenciária junto aos produtores. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (RFB) de Uberlândia (MG) encaminhou, nas últimas semanas, mais de 400 correspondências para entidades representativas do setor agropecuário, entre elas a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Federações da Agricultura e Sindicatos Rurais, solicitando apoio das entidades para orientação aos produtores rurais de todo o Brasil sobre a contribuição previdenciária.

Hortaliças e frutas

A boa notícia para o setor de frutas e hortaliças, na última semana, foi a aprovação da extensão de uso de 17 defensivos agrícolas para as Culturas com Suporte Fitossanitário Insuficiente (CSFI) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Com isso, culturas como hortaliças folhosas, batata-doce, batata yacon, beterraba, cará, gengibre, inhame, mandioca, mandioquinha-salsa, nabo, rabanete, melancia, entre outras, passam a ter mais opções de defensivos para controle de pragas e doenças. A ampliação de registro para CSFI é um pleito da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

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No mercado externo, a comercialização de frutas acelerou. A exportação até a terceira semana de outubro já supera 69 mil toneladas, com média diária próxima a obtida em outubro de 2019, com 6,3 mil toneladas. Diante da demanda externa aquecida, a expectativa é que o volume de frutas exportado em outubro de 2020 seja maior que o do mesmo período do ano passado.

No mercado interno, o tomate registrou valorização de 28% na semana devido à ocorrência de chuva no norte do Paraná e sul de Minas Gerais, que prejudicou a colheita e reduziu a oferta do produto. Para a próxima semana, a oferta deve ser maior com a intensificação da colheita da safra de inverno em Sumaré (SP), Paty do Alferes (RJ), além do sul de Minas Gerais e norte do Paraná.

No caso da batata, após duas semanas de valorização, verificou-se arrefecimento da demanda que, associado à entrada da parte final da colheita de inverno na região de Cristalina (GO) e do cerrado mineiro, provocou a redução de 16% no preço durante a última semana.

Na Bahia, as feiras seguras continuam acontecendo, dessa vez nos municípios de Itiruçu, Conceição do Almeida, Itacaré e Itapitanga. Ao todo, participaram 165 produtores rurais.

Sucroenergético

As chuvas voltaram ao Centro-Sul do Brasil após meses de tempo seco, mas o volume pode ser insuficiente para o desenvolvimento da nova safra de cana-de-açúcar, que começa a ser colhida em abril de 2021. Historicamente, a região costuma receber a média de 120 milímetros em outubro. No entanto, até o momento, a região acumula 20 mm, embora haja previsão de que, até o fim do mês, alcance 130 mm.

As exportações de açúcar permanecem aquecidas nas primeiras três semanas de outubro. No período, foram exportadas 2,3 milhões de toneladas, com média diária de 206,6 mil toneladas, volume mais que duas vezes superior à média do mesmo período de 2019.

A semana iniciou na ICE Futures com os preços do açúcar bruto em alta. Os contratos com vencimento em março/21 ultrapassaram 14,90 centavos de dólar por libra/peso, atingindo altas que não aconteciam há 8 meses. A alta de preços foi impulsionada pelas compras feitas por fundos, diante de incertezas em relação ao tamanho dos subsídios que a Índia concederá para exportações. Os pequenos recuos dos preços verificados no decorrer da semana foram causados por realizações de lucros.

No mercado spot nacional, os preços do açúcar cristal seguem em alta, sustentados pela baixa oferta. A menor disponibilidade doméstica se deve às exportações aquecidas, favorecidas pelos preços em dólar em patamares elevados. No mercado paulista, chegou a R$ 95,90/saca de 50 kg, acumulando valorização acima de 8% na parcial de outubro.

O indicador diário do etanol hidratado Esalq/B3, posto Paulínia, ultrapassou R$ 2.113,0/m³, com valorização de 10% na parcial de outubro.

Grãos

No Brasil, o plantio da nova safra de soja finalmente evoluiu, com o avanço das chuvas no Centro-Oeste. Em Mato Grosso, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) aponta que 24,87% da área está semeada até 23 de outubro de 2020. No mesmo período do ano passado, este percentual era de 64,5%. A semeadura avançou significativamente na última semana, pois em 16 de outubro apenas 8,19% da área estava semeada.

Os preços da soja continuam altos. Em Chicago, o contrato com vencimento em novembro de 2020 chegou a ultrapassar US$ 10,80/bushel. No mercado interno, o indicador Esalq/B3 apresentou cotações acima de R$ 164/saca, acumulando mais de 10% de aumento na parcial de outubro.

A demanda global aquecida continua sustentando os preços. As vendas para exportação dos Estados Unidos, por exemplo, estão muito superiores quando comparadas ao ano passado. Em outubro, 45,4 milhões de toneladas de soja foram comercializadas para exportação nos EUA, aumento de 27,0 milhões de toneladas em comparação ao mesmo período de 2019.

No caso do milho, o comportamento de preço tem sido similar, mas com acúmulo de altas ao longo da semana. Em Chicago, o contrato com vencimento em dezembro de 2020 apresentou cotações de US$ 4,17/bushel ao longo da semana. No mercado interno, o indicador Esalq/B3 ultrapassou R$ 77,00/saca, acumulando mais de 20% de alta na parcial do mês de outubro.