Análise revela desafios para o produtor de citros, confira!
Olá, produtor! Nós sabemos que a volatilidade dos preços faz parte da rotina no campo, mas entender os movimentos do mercado é fundamental para planejar os próximos passos. O assunto da vez é o preço da laranja, que apresentou uma retração significativa, conforme apontam os dados mais recentes.
Segundo o levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a pressão vem de uma combinação de fatores: a demanda externa por suco de laranja está mais lenta e, ao mesmo tempo, a oferta de fruta para as indústrias aumentou no mercado interno. Essa dinâmica impacta diretamente a rentabilidade da sua lavoura. Neste artigo, vamos analisar a fundo esse cenário, entender as razões por trás dessa queda e discutir o que isso significa para o seu negócio.
O que diz o levantamento CITROS/CEPEA?
Os números apresentados no último relatório são diretos e acendem um sinal de alerta para o setor. A caixa de 40,8 kg de laranja, destinada à indústria e que vinha sendo negociada em um patamar de R$ 50,00 na árvore, sofreu um ajuste para baixo. Nesta semana, os preços estão mais próximos de R$ 45,00, representando uma queda importante na receita do citricultor. Essa cotação é uma referência crucial, utilizada por toda a cadeia produtiva para balizar as negociações.
Além do preço da fruta, o relatório também lança luz sobre o desempenho das exportações, que são o principal motor do setor. Dados do Comex Stat, compilados pelo governo, mostram que o volume de suco de laranja exportado entre julho e outubro de 2025 foi de 283,2 mil toneladas. Esse número representa uma redução de 7,1% em comparação com o mesmo período da safra anterior. A queda nos embarques é um dos principais fatores que explicam a menor procura da indústria pela matéria-prima, pressionando as cotações para baixo. A análise do Cepea é, portanto, uma ferramenta essencial para compreender a conjuntura atual.
Por que a demanda externa está mais lenta?
Entender a retração na demanda externa é olhar para o cenário global. O Brasil é o maior produtor e exportador de suco de laranja do mundo, o que significa que nossa citricultura é altamente dependente do que acontece nos mercados internacionais. Nossos principais clientes são a União Europeia e os Estados Unidos. Uma desaceleração econômica nessas regiões, por exemplo, pode levar a uma redução no consumo de produtos como o suco de laranja, impactando toda a cadeia.
Outro ponto a ser considerado é a situação dos estoques globais e a produção em outros países. Uma possível recuperação dos pomares da Flórida (EUA) após anos de desafios climáticos e fitossanitários, ou um aumento na produção do México, pode diminuir a dependência do suco brasileiro. As indústrias globais que compram nosso produto monitoram esses fatores de perto e ajustam seus volumes de compra conforme suas necessidades e a disponibilidade de outras fontes, o que reflete diretamente na demanda pelo nosso produto e, consequentemente, no preço pago ao produtor aqui no Brasil.
A dinâmica da oferta interna e seus impactos
Enquanto a demanda externa mostra sinais de arrefecimento, a oferta de laranjas no mercado interno está robusta. A safra atual parece ter se beneficiado de condições climáticas favoráveis em momentos chave do desenvolvimento dos frutos, resultando em pomares mais carregados. Quando há mais fruta disponível para a indústria do que ela precisa para atender aos seus contratos de exportação, a lei da oferta e da procura entra em ação, e os preços tendem a cair.




