China acena com compras e tarifas, Chicago opera no azul e Dólar a R$ 5,45 garante travas em MT
A quinta-feira (05) amanhece com uma virada de sentimento nas bolsas internacionais de grãos. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de soja e milho operam em campo positivo por volta das 7h10 (horário de MT). O fôlego renovado das cotações é puxado por sinais diretos vindos de Pequim. A China indicou a intenção de acelerar as aquisições de produtos agrícolas norte-americanos enquanto negocia ativamente a redução de entraves tarifários com Washington.

No mercado doméstico, o produtor rural brasileiro combina o foco total na condução agronômica da safra 2026/27 com a disciplina financeira na comercialização. Mesmo com a realização de lucros que fez a moeda norte-americana recuar 0,64% e fechar a R$ 5,45, o patamar cambial permanece elevado e atrativo, viabilizando fixações de margem em reais no balcão. No mercado internacional de energia, o petróleo Brent exibe volatilidade acentuada: após recuar com a leitura dos resultados eleitorais nos EUA, o barril volta a subir e é negociado a US$ 96,18.
Abaixo, detalho os fundamentos que direcionam a abertura dos negócios nesta quinta-feira direto da nossa redação em Cuiabá.
Complexo Soja: China busca reduzir tarifas e puxa recuperação em Chicago
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o complexo da oleaginosa interrompe a sequência baixista dos últimos dias e trabalha no terreno positivo nesta manhã de quinta-feira.
O catalisador da alta é geopolítico e comercial:
- Sinalização de Pequim: Autoridades chinesas manifestaram a intenção de elevar as compras de grãos nos Estados Unidos, atrelando esse fluxo à necessidade de desoneração e alívio das tarifas bilaterais.
- Metas de Compras: O acordo prevê uma meta de US$ 17 bilhões em produtos agrícolas (excluindo a soja), da qual apenas US$ 7,2 bilhões foram efetivados até o momento. No complexo soja, a meta estipulada é de 25 milhões de toneladas anuais; contudo, levantamento compilado pela revista Forbes aponta que apenas 13,7 milhões de toneladas foram contratadas até agora, refletindo o peso restritivo das tarifas alfandegárias vigentes.
A perspectiva de flexibilização dessas barreiras injeta ânimo técnico nas mesas compradoras, permitindo à soja recuperar fôlego mesmo diante do volume maciço da colheita norte-americana.
Milho e Trigo: Cereal engata segundo dia de alta com suporte de etanol e exportações
O milho acompanha a toada positiva e emplaca o segundo dia consecutivo de valorização na CBOT.
Os fundamentos de sustentação incluem:
- Exportações e Indústria: O mercado foi respaldado pelos dados consolidados de exportações de setembro, que atingiram 7,084 milhões de toneladas, somados aos números firmes de moagem para a indústria de etanol nos Estados Unidos.
- Contraponto da Safra: Apesar da sustentação pontual, o avanço da colheita norte-americana continua impondo um teto para altas mais agressivas.
No mercado financeiro brasileiro, os contratos futuros de milho negociados na B3 encerraram o pregão de ontem em estabilidade. Para o trigo, o dia abre sem novidades relevantes de fundamento, acompanhando o compasso do complexo de grãos.
América do Sul: Dólar a R$ 5,45 destrava travas parciais com foco na semeadura
No cenário brasileiro, o comportamento do agricultor demonstra pragmatismo e equilíbrio operacional. Com o plantio da safra 2026/27 já consolidado em ritmo avançado, o produtor aproveita as janelas de oportunidade para assegurar a rentabilidade da porteira para dentro:
- Fixações Estratégicas: A convergência entre o dólar estabelecido na faixa de R$ 5,45 e o ensaio de recuperação em Chicago viabiliza a execução de travas táticas de preço físico e da safra futura.
- Margem Protegida: A prioridade é garantir rentabilidade em moeda nacional para o fluxo de caixa da safra sem desviar as atenções das equipes operacionais no campo.
Mercado Financeiro: Realização de lucros leva dólar a R$ 5,45 após eleições nos EUA
No mercado cambial doméstico, os investidores adotaram postura de ajuste após a disparada recente. O dólar recuou 0,64% na sessão anterior, encerrando cotado a R$ 5,45.
A movimentação refletiu tanto a busca por realização de lucros por parte de traders e tesourarias quanto a repercussão das eleições legislativas de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos, nas quais a vitória expressiva do Partido Democrata no Congresso americano introduziu cautela nas mesas institucionais. Apesar da queda diária, o patamar de R$ 5,45 permanece estruturalmente favorável à paridade de exportação das commodities agrícolas brasileiras.
Cenário Geopolítico e Energia: Brent oscila e retoma alta para US$ 96,18
No mercado internacional de energia, o petróleo demonstra alta volatilidade. Após recuar com a percepção de que a nova correlação de forças no Congresso americano poderia conter as iniciativas belicosas de Donald Trump contra o Irã, o barril do tipo Brent retomou o movimento altista nesta manhã, cotado a US$ 96,18 por volta das 7h10 (horário de MT).
O vaivém dos preços reflete o embate constante entre as apostas de arrefecimento geopolítico e a realidade dos riscos de interrupção nas rotas de fornecimento de combustíveis no Oriente Médio, mantendo o setor em alerta para os custos de frete marítimo e distribuição de insumos.
Não perca nada
Receba as notícias do Agronews em primeira mão no Google News
Resumo Executivo para o seu radar hoje:
- Chicago no Azul: Soja e milho operam em campo positivo na CBOT amparados pelo aceno da China em elevar compras de grãos caso barreiras tarifárias sejam revistas.
- Metas de Compras da China: Compromisso de US$ 17 bi fora a soja acumula US$ 7,2 bi; meta de soja em 25 mi t anuais tem 13,7 mi t cumpridas (Forbes), prejudicada pelas tarifas.
- Milho Sustentado: Cereal sobe pelo 2º dia consecutivo, impulsionado por exportações de 7,084 mi t em setembro e demanda de etanol nos EUA, com B3 estável.
- Travas no Brasil: Produtor mato-grossense aproveita o dólar elevado para fixar margens de receita em reais sem comprometer o ritmo do plantio.
- Dólar a R$ 5,45: Câmbio recua 0,64% em realização de lucros e reflete a vitória democrata nas eleições americanas.
- Brent a US$ 96,18: Petróleo retoma alta após queda intradiária, evidenciando a volatilidade do risco geopolítico no Oriente Médio.
A diretriz tática para esta quinta-feira é de execução inteligente: com a reação pontual da CBOT puxada pela pauta comercial sino-americana e o dólar sustentado a R$ 5,45, abrem-se janelas ideais para avançar nas travas de custo e receita da safra 2026/27. Não deixe a paridade escapar à espera de topos especulativos no câmbio; garanta suas contas operacionais enquanto o plantio caminha para a reta final em Mato Grosso. Um excelente dia de negócios a todos!

Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes
Agronews é informação para quem produz







