• Soja (MT)R$ 136,31-0.50%
  • Milho (MT)R$ 46,41-0.64%
  • Algodão (MT)R$ 126,140.00%
  • Boi Gordo (MT)R$ 345,94+0.43%
  • Leite (MT)R$ 2,39-0.30%

Colheita acelerada nos EUA derruba soja em Chicago, mas mercado de MT reage

A terceira sexta-feira de outubro amanhece com movimentos acentuados de compensação entre os mercados internacionais e a formação de preços no interior de Mato Grosso. Na Bolsa de Chicago (CBOT), a combinação de um ritmo acelerado de colheita no Meio-Oeste norte-americano com números fracos do esmagamento industrial nos Estados Unidos provocou uma nova rodada de liquidação generalizada, derrubando a soja e o milho nesta abertura.

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Lavoura de soja em Mato Grosso com mercado pressionado pelo frete

Por outro lado, o produtor rural brasileiro encontra um amortecedor robusto na ponta cambial e no mercado físico: o dólar disparou mais de 1% e fechou cotado a R$ 5,087 na esteira da maior aversão ao risco gerada pelas pesquisas eleitorais. Somado a isso, os prêmios de exportação para a entrega curta permanecem firmes nos portos, garantindo a sustentação dos valores nominais da soja disponível nas praças de balcão e amenizando o tombo das telas futuras.

Abaixo, os fundamentos detalhados que regem o fechamento de semana direto da nossa redação em Cuiabá.

Complexo Soja: Perda de suportes em Chicago e tempo seco nos EUA

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o pregão desta sexta-feira (16) é de nítida pressão baixista. Por volta das 6h40 (horário de MT), os contratos futuros trabalhavam com perdas consolidadas, rompendo limites técnicos de longo prazo:

  • Soja Novembro/26 (safra dos EUA): Perde a sustentação recente e passa a ser negociada abaixo dos US$ 12,60 por bushel.
  • Soja Março/27 (safra brasileira): Acompanha a baixa e recua para a faixa dos US$ 12,82 por bushel.

A fraqueza internacional é alimentada por dois vetores concomitantes:

  1. Clima Perfeito no Corn Belt: Um padrão meteorológico mais seco e quente instalou-se em estados vitais do cinturão produtor dos EUA, com destaque para Iowa e Nebraska, acelerando bruscamente os trabalhos de campo. Essa onda de colheita sem interrupções inunda os canais de distribuição com grão novo.
  2. Processamento Industrial Fraco: Os relatórios operacionais das esmagadoras de soja norte-americanas vieram abaixo das projeções médias do mercado, sinalizando uma demanda de esmagamento (crush) mais acanhada do que o esperado e forçando os fundos de investimento a reduzir suas posições compradas.

Milho e Trigo: Cereal sofre com a aceleração das máquinas

O milho acompanha o tom negativo da soja nesta abertura de sexta-feira na CBOT, sem forças para desenhar uma reação intradiária. O cereal é penalizado pela mesma aceleração climática no Meio-Oeste norte-americano: com o tempo firme, as colheitadeiras avançam rapidamente sobre os campos de milho, ampliando a oferta imediata e pressionando os contratos futuros da commodity.

América do Sul: Plantio rumo aos 20% com projeção de safra recorde

No solo brasileiro, a semeadura da safra 2026/27 segue acelerando à medida que a distribuição de chuvas se estabiliza. O setor agrícola busca alcançar de forma consolidada a marca de 20% da área total estimada no país. As projeções iniciais para a nova temporada já desenham o potencial de um volume histórico, apontando para uma safra recorde de 181,6 milhões de toneladas de soja.

No ambiente de comercialização física, o produtor de Mato Grosso vive um cenário de forte desacoplamento em relação a Chicago:

  • Disponível Protegido: Os preços da soja disponível no mercado interno continuam sustentados graças à combinação de prêmios firmes nos portos para a liquidação de novembro com a disparada do dólar a R$ 5,087.
  • Futuro Pressionado: Em contrapartida, as cotações da soja futura para a safra que está sendo semeada seguem fragilizadas pela queda contínua das telas de 2027 na CBOT e pela desidratação dos prêmios de longo prazo.

📊 Cotações de Mercado — 16/10/2026

Contratos Futuros CBOT, Câmbio Dólar e Petróleo Brent

🔴 Sessão de Fechamento / Abertura
Contrato Último (LAST) Variação (CHG) Máxima (HIGH) Mínima (LOW)
nov/261258.50-4.501265.751258.00
jan/271273.75-4.001280.751273.50
mar/271282.75-3.501289.251282.25
may/271291.25-3.751297.751290.75
jul/271297.25-3.751303.501296.50
aug/271280.50-4.501287.001280.50
sep/271246.75-3.251251.001246.75

Mercado Financeiro: Dólar dispara para R$ 5,087 com cautela eleitoral

No cenário econômico doméstico, a quinta-feira foi marcada por uma forte reação no mercado de divisas. O dólar registrou uma alta superior a 1%, encerrando a sessão cotado a R$ 5,087.

O gatilho para esse movimento foi a divulgação de novas rodadas de pesquisas eleitorais para o segundo turno da corrida presidencial. A indicação de um cenário de rigoroso empate técnico assustou o mercado financeiro, desfazendo a onda de otimismo que vinha pressionando a moeda para baixo e forçando os investidores institucionais a comprar dólares como ativo de proteção.

O front macro: Brent resiste acima de US$ 106 com risco geopolítico

No mercado internacional de energia, o petróleo mantém a sua trajetória altista no fechamento da semana. O barril de petróleo tipo Brent registra cotação firme a US$ 106,15 por volta das 6h (horário de MT).

Sem qualquer perspectiva de cessar-fogo ou solução diplomática nos conflitos armados no Oriente Médio e no leste europeu, o prêmio de risco militar sobre os combustíveis permanece ativo. A sustentação do petróleo na faixa dos US$ 106 continua servindo como um suporte indireto aos prêmios das commodities agrícolas e mantém a inflação de fretes marítimos e rodoviários no topo das preocupações operacionais do agronegócio.

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Resumo Executivo para o seu radar hoje:

Encerramos a semana com uma mensagem cristalina para a comercialização em Mato Grosso: aproveite o salto do dólar para R$ 5,087 e a firmeza dos prêmios curtos para realizar vendas cadenciadas do grão disponível, garantindo liquidez antes de qualquer alívio cambial no pós-eleição. Por outro lado, para a safra futura, com Chicago pressionada pelo avanço das máquinas nos EUA, a regra de ouro é paciência no grão e agressividade na travamento de insumos, usando o alívio nas cotações de fertilizantes. Um excelente final de semana e ótimos negócios a todos!

Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes

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Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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