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Preço do leite ao produtor sobe 11,46% em março e alivia margens no campo

Redação
27/05/2026 às 09:35
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Considerando a média ponderada dos estados acompanhados, a variação nominal entre fevereiro e março chega a 11,46%, enquanto o Cepea aponta alta de 10,5% na “Média Brasil” calculada pela instituição

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Preço do leite ao produtor sobe 11,46% em março e alivia margens no campo

O Cepea/Esalq divulgou nesta semana os dados consolidados de março de 2026 para o preço do leite cru recebido pelo produtor. A média nacional de R$ 2,3924 por litro representa a maior variação mensal do ano até agora, interrompendo um período de relativa estabilidade nos preços pagos ao pecuarista de leite.

O movimento reflete o que o mercado já vinha apontando desde janeiro. O primeiro trimestre fechou com alta acumulada de 17,6% no indicador do leite, conforme dados do Cepea. A oferta no campo seguiu restrita com o fim do período de chuvas intensas em algumas regiões e o avanço dos custos de produção que limitaram a expansão da produção.

Paraná lidera alta entre os estados

Paraná registrou o maior valor absoluto entre os estados pesquisados, com o litro cotado a R$ 2,4719, equivalente a uma alta de 14,12% em relação ao mês anterior. Minas Gerais, maior bacia leiteira do país, alcançou R$ 2,4580 por litro, com avanço de 11,58%. São Paulo, terceiro maior produtor, viu o preço subir para R$ 2,4249, alta de 10,41%.

Santa Catarina marcou R$ 2,3593 por litro e variação de 13,83%, enquanto Goiás atingiu R$ 2,3391 com +11,19%. Rio Grande do Sul ficou em R$ 2,3061 e alta de 10,01%. Bahia, Rio de Janeiro e Espírito Santo também apresentaram ganhos, embora mais moderados, de 4,25%, 6,64% e 3,47% respectivamente.

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Oferta enxuta e demanda firme sustentam preços

O período de entressafra do leite, que normalmente vai de maio a agosto, começou a dar sinais de aperto na oferta desde o fim do verão. A combinação de custos elevados com alimentação concentrada, energia elétrica e medicamentos veterinários comprimiu as margens e desestimulou o aumento de produção em várias regiões.

Do lado da demanda, o consumo de derivados lácteos manteve trajetória firme. O leite UHT, o leite em pó e os queijos mais consumidos no mercado interno registraram alta de preços nas gôndolas nos últimos meses, indicando que o repasse ao consumidor final está ocorrendo de forma consistente.

Câmbio elevado pesa nos custos mas ajuda exportações

O dólar comercial fechou a R$ 5,02 na última segunda-feira, mantendo o patamar elevado que tem caracterizado o primeiro semestre de 2026. Para o produtor de leite, isso significa insumos mais caros, já que fertilizantes, aditivos da ração e equipamentos importados são precificados em moeda americana.

Por outro lado, o câmbio favorece as exportações de lácteos brasileiros. O leite em pó integral e os queijos produzidos no país ganharam competitividade no mercado internacional nos últimos meses, abrindo uma janela adicional de escoamento para a produção excedente.

Perspectivas para os próximos meses

Com a aproximação do inverno, a tendência é de que a oferta de leite no campo continue ajustada. As pastagens de inverno ainda estão em fase de desenvolvimento no Centro-Sul, e o custo da alimentação concentrada deve se manter pressionado com o preço do milho e do farelo de soja ainda em níveis elevados.

A expectativa dos analistas do Cepea é de que o preço ao produtor possa se manter nos patamares atuais ou até registrar novos avanços nos próximos meses, dependendo da intensidade da demanda e do comportamento dos custos de produção. A recuperação gradual da economia e o consumo aquecido de lácteos devem dar sustentação ao mercado.

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