Se a terça-feira foi dominada por sobressaltos e intensa aversão ao risco, a manhã desta quarta-feira(27) traz um nítido compasso de espera. Os mercados globais parecem ter pausado para respirar, digerindo os novos desdobramentos geopolíticos e os fundamentos agrícolas que chegam do Hemisfério Norte.
Hoje, o foco das mesas de operação se divide entre as manchetes diplomáticas no Oriente Médio e a impressionante velocidade das plantadeiras nos Estados Unidos. Abaixo, detalho como esses fatores estão ditando o ritmo dos seus negócios nesta quarta-feira.
O alívio diplomático e o cabo de guerra no câmbio
O xadrez geopolítico continua sendo o grande maestro do cenário macroeconômico. Sinais recentes de avanços nas tratativas diplomáticas entre Estados Unidos e Irã trouxeram um respiro para os mercados. No entanto, é importante mantermos os pés no chão: a ausência de um acordo definitivo e a incerteza sobre a reabertura total do Estreito de Ormuz mantêm um prêmio de risco latente no radar.
Com o arrefecimento das tensões imediatas, o petróleo engatou um movimento de recuo. Essa queda da energia, por sua vez, costuma penalizar moedas emergentes, e o real sente esse peso.
O resultado para o dólar é um verdadeiro cabo de guerra, traduzido em forte oscilação e bandas estreitas de negociação. De um lado, a queda do petróleo empurra a moeda americana para cima frente ao real; de outro, o enfraquecimento global do dólar (refletido na queda do índice DXY), o recuo nos juros dos Treasuries (títulos americanos) e um apetite moderado por risco em Nova York cortam as asas de altas mais expressivas. É um cenário que exige cautela extra do produtor nas operações de hedge cambial.
Complexo Soja: Chicago de lado e o ritmo acelerado nos EUA
Na Bolsa de Chicago (CBOT), a manhã é de indefinição para a soja. Os traders adotaram uma postura defensiva, operando “de lado” enquanto aguardam novos gatilhos.
Dois fatores dominam as atenções no complexo da oleaginosa. O primeiro é a expectativa (ainda não confirmada) de novas compras chinesas envolvendo a safra velha americana. O segundo, e mais concreto, vem dos campos: o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgou ontem seu relatório de progresso de safra, mostrando que o produtor americano está acelerado.
O plantio da soja atingiu expressivos 79% da área projetada. Para se ter uma ideia da força desse ritmo, o número salta bem acima dos 67% da semana passada, supera os 75% registrados nesta mesma época em 2025 e deixa a média histórica plurianual (68%) comendo poeira. O farelo de soja também acompanha esse clima pesado e registra perdas nesta manhã.
Milho e Trigo: Clima favorável pesa sobre as cotações
O movimento de retração não se restringe à soja. Os contratos futuros do milho e do trigo também operam no vermelho em Chicago. O grande motor dessa pressão baixista é o clima no Corn Belt americano. As previsões apontam chuvas e temperaturas altamente favoráveis para o desenvolvimento inicial das lavouras, reduzindo o prêmio de risco climático que costuma dar suporte aos preços nesta época do ano.
Para balizar suas estratégias comerciais neste meio de semana, destaco as principais forças em ação:
Geopolítica em banho-maria: Sinais de avanço diplomático entre EUA e Irã trazem alívio e derrubam o petróleo, mas o mercado segue alerta por falta de uma resolução definitiva.
Plantio americano voando: A soja nos EUA alcançou 79% de área plantada, um ritmo consideravelmente superior à média histórica de 68% (USDA).
Cautela em Chicago: Sem direção definida, a soja aguarda movimentos da China, enquanto milho, trigo e farelo amargam quedas puxadas pelo clima favorável no Meio-Oeste americano.
Câmbio volátil e limitado: O dólar oscila sem muito fôlego; a queda do petróleo joga contra o real, mas os juros americanos em baixa impedem uma disparada da moeda norte-americana.
Continuamos monitorando o mercado físico e as telas globais para garantir que você tenha a melhor leitura do cenário na hora de fechar negócio.
Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes