Fábrica clandestina em Goiânia produzia espetinhos com carne pintada e corantes sem registro sanitário. Delegado mostra apreensão e irregularidades.
Quando o espetinho vira problema de polícia
Tem coisa que a gente acha que só acontece em filme ruim ou naquelas reportagens sensacionalistas de domingo à tarde. Mas não. Semana passada, em Aparecida de Goiânia, a polícia fechou uma fábrica clandestina que produzia espetinhos com carne pintada. Isso mesmo. Pintada.

O delegado Humberto Teófilo, da Central de Flagrantes, entrou no estabelecimento depois de denúncia e encontrou um cenário que faria qualquer produtor sério de proteína animal sentir vergonha alheia. Duas bacias de carne moída esperando virar linguiça mista, corante artificial sem procedência, sal de cura sem registro sanitário. Tudo ali, pronto pra ir pro mercado como se fosse produto de verdade. E o delegado fez questão de registrar o momento da operação (vídeo no final dessa matéria).
A operação aconteceu na última quinta-feira, dia 15 de janeiro, com apoio da Guarda Municipal. Apreenderam carnes, aditivos, espetinhos já embalados. O dono do negócio foi autuado por infração de medida sanitária preventiva, crime previsto no artigo 268 do Código Penal. Levou um Termo Circunstanciado de Ocorrência e agora vai responder pelo que fez.
Pra quem trabalha sério com pecuária, esse tipo de notícia dói. Dói porque mancha o setor inteiro. Dói porque o produtor que acorda cedo, que investe em sanidade, que segue protocolo, que manda amostra pra laboratório, acaba pagando o pato por gente que decide fazer gambiarra com proteína animal.
O problema não é só sanitário
Vamos ser diretos aqui. Usar corante em carne não é só uma questão de enganar o consumidor. É saúde pública. É crime. Quando você pinta um pedaço de carne pra esconder que ela não está fresca, você está colocando veneno na mesa de alguém. Simples assim.
O sal de cura, quando usado corretamente e com registro, tem função conservante em embutidos. Mas sem controle, sem dosagem técnica, sem fiscalização, vira roleta-russa. Corante artificial sem comprovação sanitária então, nem se fala. Ninguém sabe o que tem ali dentro, qual a origem, se presta ou não presta.
E tem outro lado da história que passa batido. O produtor rural que cria gado, que vende o boi gordo, que negocia arroba, não tem controle nenhum sobre o que acontece lá na ponta. O frigorífico compra, abate conforme as normas, vende pra distribuidores, e aí começa o problema. Quando aparece uma fábrica clandestina dessas, quem sofre é a cadeia inteira.
Porque o consumidor não diferencia. Pra ele, carne ruim é carne ruim. Não importa se veio de um sistema rastreado, com certificação, ou se saiu de um galpão sem alvará com bacia no chão e corante na prateleira.
Aperte o play no vídeo abaixo e confira! (para ver do início atualize a página)
Rastreabilidade que não chega na ponta
A gente fala tanto de rastreabilidade, de bem-estar animal, de certificação sanitária. O Brasil exporta carne pra China, pra Europa, pra mercados que exigem padrão internacional. Mas aqui dentro ainda tem gente vendendo espetinho pintado em feira livre.
É contraditório demais. O país que tem um dos maiores rebanhos comerciais do mundo, que domina tecnologia de confinamento, que faz inseminação artificial em escala, ainda convive com esse tipo de irregularidade básica, primária, inaceitável.

![Carne adulterada: fábrica usava corante em espetinhos [Vídeo]](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fapi.agronews.tv.br%2Fwp-content%2Fuploads%2F2026%2F01%2Ffabrica-usava-corante-em-espetinhos.jpg&w=3840&q=75)


