Depois de alcançar o seu melhor desempenho da década em 2016, país deve voltar a ter resultado negativo nos embarques de cortes nobres à UE

Uma semana depois de completar dois meses de sua deflagração, a Operação Carne Fraca segue causando danos à cadeia produtiva de carne bovina do Brasil. Com a queda nos embarques de abril, as exportações somam recuo de 10,7% no acumulado do ano em relação a igual período do ano passado.

Além de comprometer as projeções iniciais dos exportadores para 2017, a redução dos embarques para a União Europeia deve impedir que o Brasil cumpra a sua meta dentro da Cota Hilton, que tem seu ano/calendário vigente até o fim de junho.

“É muito provável que o Brasil não consiga cumprir a cota deste ano. Muitas plantas que exportam para a UE foram fechadas recentemente em função de férias coletivas ou manutenção”, destaca Lygia Pimentel, analista de mercado da Agrifatto.

A Cota Hilton é constituída de cortes especiais do quarto traseiro, de novilhos precoces, e seu preço no mercado internacional geralmente é mais alto do que o da carne em geral. Para se enquadrar nesse acordo é necessário que os animais sejam rastreados desde a desmama e alimentados exclusivamente a pasto. Os Estados autorizados a exportar são ES, GO, MG, MT, MS, PR, RS e SP.

O Brasil tem direito a enviar 10.000 toneladas de carne para a Cota Hilton. No ano passado, o país atingiu 92,9% desse volume, sendo o melhor desempenho desde 2006/2007, quando tinha direito ao envio de apenas 5.000 toneladas.

Ritmo lento – Apesar de o Brasil ter rompido os embargos impostos durante a Carne Fraca, diversos países importadores de carne bovina brasileira adotaram maior fiscalização aos produtos, o que ainda tem afetado os embarques.