O mercado do boi gordo está aquecido, e o produtor precisa ficar atento às oportunidades
Se você, pecuarista, tem acompanhado o mercado, já deve ter percebido que o cenário para a arroba do boi gordo tem sido positivo. Desde o início de outubro, os preços mostram uma tendência de alta na maioria das regiões produtoras do Brasil. Mas o que está por trás dessa valorização? A resposta, como quase sempre no agronegócio, está na boa e velha lei da oferta e da demanda.
De acordo com análises do Cepea, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, a oferta de animais prontos para o abate está mais restrita, o que pressiona os frigoríficos a pagarem mais para garantir sua matéria-prima. Vamos entender juntos como essa dinâmica funciona e o que ela significa para o seu negócio.
O que são as escalas de abate e por que elas importam?
Um dos termômetros mais importantes para medir a oferta de gado é a chamada “escala de abate”. De forma simples, esse indicador mostra para quantos dias os frigoríficos já têm a compra de animais garantida para preencher sua linha de produção. Quando as escalas estão longas, significa que as indústrias estão com o pátio cheio e sem pressa para comprar, o que geralmente derruba os preços. No entanto, o cenário atual é o oposto. As escalas de abate encurtaram, sinalizando que a oferta de animais terminados está mais apertada.
Com menos animais já negociados para os próximos dias, os compradores dos frigoríficos precisam ir ao mercado com mais frequência e disposição para negociar. É o que chamamos de “mercado de balcão”, onde as negociações são feitas para o curto prazo. Essa maior procura para preencher os buracos na escala de abate aumenta a competição pelos lotes de boi gordo disponíveis, dando ao produtor um maior poder de barganha e, consequentemente, impulsionando os preços da arroba para cima. Portanto, ficar de olho nesse indicador é fundamental para planejar a venda do seu rebanho.
A dinâmica da oferta do boi gordo no mercado
Entender por que a oferta de boi gordo diminui em certos períodos é crucial. A pecuária de corte é uma atividade de ciclo longo. Desde a cria até o animal atingir o peso ideal para o abate, leva-se anos. Isso significa que a produção não pode ser aumentada da noite para o dia para atender a um pico de demanda. Diversos fatores influenciam a quantidade de animais disponíveis no mercado em um determinado momento, e o produtor rural conhece bem cada um deles.
O clima, por exemplo, tem um impacto direto. Períodos de seca podem degradar as pastagens, forçando o pecuarista a vender os animais antes do tempo ou a investir mais em suplementação. Por outro lado, o confinamento surge como uma estratégia para driblar a sazonalidade das pastagens e garantir um fluxo constante de animais terminados. No entanto, os custos com grãos como milho e soja, base da ração, também pesam na decisão. A oferta atual mais contida reflete decisões de produção tomadas meses ou até anos atrás, influenciadas por todos esses fatores.
- Qualidade e disponibilidade de pastagens, que dependem diretamente do regime de chuvas.
- Custo dos insumos para ração, principalmente milho e farelo de soja, que impactam diretamente a viabilidade dos confinamentos.
- O ciclo pecuário, incluindo momentos de retenção de fêmeas para expandir o rebanho, o que diminui a oferta de vacas para o abate.
- Investimentos em genética e manejo, que melhoram a produtividade, mas demandam tempo para mostrar resultados em larga escala.
Demanda firme: quem está comprando a carne brasileira?
Se a oferta está mais restrita, a demanda continua bastante aquecida, tanto no mercado interno quanto no externo. O Brasil é um gigante na produção e exportação de carne bovina, com um rebanho que ultrapassa 230 milhões de cabeças, segundo dados do IBGE. Nossos principais compradores internacionais, como a China, continuam com um apetite forte pela proteína brasileira, o que ajuda a enxugar a produção nacional e a manter os preços em patamares elevados para o produtor.




