Com as demandas interna e externa aquecidas, o mercado do boi gordo vive um final de ano promissor, confira!
A chegada de dezembro traz consigo um cenário de otimismo para a pecuária de corte brasileira. Este período, tradicionalmente marcado pelo aumento do consumo de carne bovina, ganha ainda mais força com a combinação de um mercado doméstico aquecido e uma forte procura internacional.
Análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, indicam que o pagamento do 13º salário e as celebrações de fim de ano impulsionam as vendas no varejo, enquanto gigantes como China e Estados Unidos mantêm o ritmo de compras em alta. Esse cenário positivo reverbera por toda a cadeia produtiva, desde o pecuarista que termina o gado no pasto até as gôndolas dos supermercados, criando uma expectativa de preços firmes para a arroba do boi gordo e um encerramento de ciclo com boas perspectivas para o produtor.
O motor do consumo: 13º e festas de fim de ano
O mercado interno é, historicamente, um pilar fundamental para a pecuária nacional. Em dezembro, esse pilar se torna ainda mais robusto. A injeção do 13º salário na economia aumenta o poder de compra das famílias brasileiras, que tradicionalmente elegem a carne bovina como protagonista de suas comemorações, seja no churrasco de confraternização ou na ceia de Natal. Esse movimento aquece as vendas no atacado e no varejo, gerando um efeito cascata que chega até a fazenda.
Para o produtor rural, este é um período de intensa atividade e planejamento estratégico. A valorização da arroba, impulsionada pelo aumento da procura, exige atenção constante às cotações e agilidade na negociação dos lotes. A gestão da propriedade se intensifica para atender aos cronogramas dos frigoríficos, que também ajustam suas operações para suprir a demanda. É um momento crucial que define, em grande parte, a rentabilidade do ano.
Nesta época, as tarefas do dia a dia do pecuarista incluem:
- Finalizar a negociação de lotes de animais terminados para o abate;
- Planejar a logística de transporte dos animais, garantindo o bem-estar e a conformidade com as normas;
- Monitorar diariamente os preços da arroba e os indicadores de mercado;
- Ajustar o manejo nutricional do rebanho para garantir o peso ideal de abate.
O cenário global e as demandas interna e externa aquecidas
Enquanto o consumidor brasileiro enche o carrinho, o mercado internacional mantém o apetite pela carne do Brasil. A combinação de qualidade, volume e competitividade consolidou o país como um dos maiores exportadores globais, e a manutenção das demandas interna e externa aquecidas é a chave para a sustentação dos preços. A China continua sendo o principal destino das exportações, com uma procura constante que absorve uma parcela significativa da produção nacional, valorizando cortes específicos e movimentando grandes volumes.
Os Estados Unidos, outro mercado estratégico, também demonstram uma demanda firme. A abertura e a consolidação de mercados exigentes como o norte-americano atestam a qualidade e a segurança do produto brasileiro, resultado de anos de investimento em sanidade e tecnologia. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o desempenho das exportações tem batido recordes, refletindo a confiança internacional no agronegócio do Brasil. Esse fluxo contínuo de exportação ajuda a enxugar a oferta interna, evitando uma pressão de baixa sobre os preços da arroba, mesmo em períodos de maior abate.
A estratégia dos frigoríficos para um mês agitado
A indústria frigorífica opera em ritmo acelerado para gerenciar o aumento da procura. As estratégias variam. Parte das indústrias já se antecipou, preenchendo suas escalas de abate para as primeiras semanas de dezembro e programando férias coletivas para os últimos dias do ano. Essa antecipação garante o fornecimento para os contratos já firmados e otimiza a operação antes do recesso.




