Parceria entre Mapa e Embrapa visa aprimorar as práticas desempenhadas nos sistemas e cadeias produtivas da sociobiodiversidade e extrativistas

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo, anunciou uma nova parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para promover a estruturação, o fortalecimento e o aprimoramento das cadeias produtivas do açaí, cupuaçu, castanha-do-Brasil, piaçava, mandioca, mel de abelhas nativas, baunilhas brasileiras e sistemas agroflorestais biodiversos nos biomas Amazônia e Cerrado. Além disso, por meio do desenvolvimento de inovações, a iniciativa buscará potencializar o acesso dessas cadeias aos mercados. Mais de R$ 2 milhões foram assegurados pelo Mapa para a execução das atividades que integram o programa federal Bioeconomia Brasil – Sociobiodiversidade.

Serão beneficiadas cerca de 21.600 pessoas, entre pequenos agricultores, agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais e seus empreendimentos, assim como técnicos extensionistas, pesquisadores, gestores públicos, viveiristas e estudantes de ensino técnico.

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De acordo com o cronograma de ações da parceria, entre novembro de 2020 e dezembro de 2022 serão realizadas pesquisas e estudos referente às cadeias atendidas, oficinas, seminários, encontros para intercâmbio de experiências e Dias de Campo sobre tecnologia de produção, além de atividades voltadas para a instalação de Unidades de Referência Tecnológica (URTs), construção de viveiros de mudas, desenvolvimento de softwares, elaboração de vídeos e cartilhas de boas práticas e outros.

Os projetos atuarão para aprimorar as práticas desempenhadas nos sistemas e cadeias produtivas da sociobiodiversidade e extrativistas, na geração e no aprimoramento de negócios sustentáveis e também na viabilização a adequação às legislações e normas sanitárias vigentes.

“A bioeconomia é um tema extremante importante, pois faz o país avançar no desenvolvimento da agricultura lado a lado com a sustentabilidade. Ao mesmo tempo que os recursos naturais são aproveitados de forma sustentável, possibilitando que os agricultores e pessoas que vivem desses recursos da natureza ganhem o seu sustento, o meio ambiente é preservado. É a profissionalização das cadeias do extrativismo, beneficiando agricultores familiares, ribeirinhos e povos tradicionais”, destaca o secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo, Fernando Schwanke.

A parceria entre Mapa e Embrapa possui quatro metas principais. A primeira é apoiar a estruturação de empreendimentos da agricultura familiar inseridos em cadeias produtivas da sociobiodiversidade. Para isso, serão promovidas atividades com a finalidade de facilitar o acesso dos extrativistas e agricultores familiares aos conhecimentos e tecnologias desenvolvidos pela Embrapa, por meio de ações variadas como capacitações, instalação de Unidades de Aprendizagem (UA) e eventos.

Outra meta é a realização de pesquisas para subsidiar essas ações de fortalecimento e estruturação. Assim, serão feitos estudos referentes às cadeias produtivas atendidas nos projetos, resultando na elaboração de laudos técnicos, relatórios, publicações, cartilhas, manuais, documentos orientadores, protocolos e mapas, como também na formação de bancos de dados e de germoplasma.

A inovação é o foco da terceira meta desta iniciativa. Por isso, serão executadas atividades voltadas para a busca de soluções tecnológicas para as cadeias do extrativismo e da sociobiodiversidade visando a estruturação de algumas cadeias, buscando aprimorar o sistema produtivo e o acesso aos mercados.

A quarta meta traçada envolve o monitoramento e a gestão administrativa financeira dos projetos, que serão desempenhados pela área de Inclusão Tecnológica da Secretaria de Inovação e Negócios da Embrapa.

Projetos e atividades

Ações de socialização de tecnologias e informações, com aproximadamente 1.300 agricultores, produtores e técnicos extensionistas, serão promovidas, no estado do Pará, pelo Projeto Açaí de Terra Firme, entre janeiro de 2021 e dezembro de 2022. A Embrapa Amazônia Oriental coordenará as capacitações online e presenciais nos municípios de Tomé-Açu, Bragança e Castanhal. Para a realização das atividades online, será criada uma Unidade Virtual de Referência Tecnológica de Açaí, em plataforma web e interativa, que permitirá aos beneficiários conhecerem, através de vídeos, animações e informações gráficas, as tecnologias de produção do açaí. Outra ferramenta de aprendizado será o curso em EAD de Produção de Açaí em Terra Firme, formado por cinco módulos, possibilitando que agricultores de várias localidades recebam capacitação de forma virtual no dia e na hora mais convenientes.

Já o Projeto Meliponicultura no Pará acontecerá entre novembro de 2020 e dezembro de 2022 e também será executado pela Embrapa Amazônia Oriental. O objetivo é fomentar a organização da cadeia produtiva do mel de abelhas em benefício de 2 mil agricultores tradicionais, meliponicultores e demandadores de produtos e serviços do setor. Por meio do projeto acontecerão cursos presenciais nos polos paraenses de produção de mel, localizados nas Regiões Sul-Sudeste, Oeste, Nordeste e Metropolitana do Pará. Dentre as atividades previstas também estão a implantação de três meliponários em Sistemas Agroflorestais Melitófilos Amazônicos (Unidades Demonstrativas) e o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas para promover a interação de grupos de governança, acesso a serviços, intercâmbio de conhecimento e outros.

A Embrapa Amazônia Oriental estará ainda à frente do Projeto Cupuaçu a ser realizado no Pará. Previsto para iniciar em fevereiro de 2021, a iniciativa vai promover o aporte de conhecimentos sobre o sistema de produção do cupuaçuzeiro, a fim de que a média de produtividade do estado, que hoje se encontra em 3.400 kg/ha, avance para pelo menos 5.000 kg/ha. Para isso, além da realização de cursos com os envolvidos nesta cadeia produtiva e intercâmbio entre produtores e técnicos, alcançando 540 beneficiários, será instalada uma Unidade de Referência Tecnológica, para demonstrar todas as etapas do cultivo. Para ampliar o alcance das informações e possibilitar que os produtores de cupuaçu de diversas localidades do Estado sejam beneficiados, será implementada uma Unidade Virtual de Referência Tecnológica de Cupuaçuzeiro, na qual estarão disponíveis vídeos, animações e informações gráficas sobre tecnologias, entre outros recursos.