Citando possibilidade de uma “mini Era do Gelo“, especialista aponta gravidade dos efeitos climáticos no setor agro, impactos econômicos e como deve ser o comportamento do produtor rural brasileiro diante da crise iminente

Na noite desta terça-feira, 30 de julho, tive a honra de conduzir uma conversa reveladora com Dr. Alex Alves, neurocientista e especialista em comportamento humano, sobre o tema “O Agro em Tempos Difíceis“. Como jornalista responsável pelo portal Agronews, tenho acompanhado de perto os desafios e as transformações que o setor agropecuário brasileiro enfrenta. Neste bate-papo, discutimos as previsões para o agro, os impactos econômicos da crise atual e como os produtores estão lidando com este cenário. (Vídeo completo no final desta matéria)

A gravidade da crise climática global

Nosso diálogo começou com uma análise das condições climáticas que, segundo Dr. Alex Alves, são um dos fatores mais críticos para o futuro do agro. Ele destacou a previsão de uma “mini Era do Gelo” no hemisfério norte, que deverá impactar diretamente as safras e os preços das commodities agrícolas. Esse fenômeno afetará não apenas os países do hemisfério norte, mas terá reflexos significativos em todo o globo, incluindo o Brasil.

Dr. Alex comentou, “Nós temos uma alteração no hemisfério norte que vai começar agora em setembro, uma mini Era do Gelo que vai cobrir parte dos Estados Unidos, Canadá, Europa e também China e Rússia. Isso refletirá diretamente aqui no hemisfério sul, agravando ainda mais os efeitos de fenômenos climáticos como La Niña e El Niño, que estão se tornando cada vez mais agressivos.

A gravidade das previsões climáticas preocupa tanto pela intensidade quanto pela frequência com que ocorrem. Além disso, há um outro elemento alarmante: a inversão do polo magnético da Terra, que, segundo Dr. Alex, está alterando as marés dos oceanos e provocando recuos significativos do mar em algumas regiões, o que pode resultar em tsunamis. Nesse sentido, o especialista cita a região Nordeste como possível local onde podem ocorrem esses fenômenos alarmantes.

Impactos econômicos e a especulação financeira

A crise climática traz à tona outro grande desafio para o setor: os impactos econômicos. A especulação financeira em torno das commodities agrícolas tem criado um ambiente de incerteza para os produtores. Muitos estão enfrentando dificuldades para pagar suas dívidas, pois os preços esperados para suas colheitas não se concretizaram, forçando-os a vender seus produtos a valores muito abaixo do esperado.

Um dos grandes problemas é o fator da especulação financeira em cima do agro. Eu entendo que o agro é um processo estratégico e, por ser a base alimentar, ele não deveria internamente ser objeto de especulação. No mercado internacional, isso é inevitável, mas no mercado interno, deveríamos ter uma segurança que garantisse a operação sem ser draconiana“, observou Dr. Alex.

Esse cenário é agravado pela quebra de safra recente, que Dr. Alex estima em cerca de 30%. Ele enfatizou que essa quebra pode resultar em um aumento da fome global, afetando meio bilhão de pessoas no próximo ano. “Acorda, gente! Meio bilhão vai ficar com fome se o agro brasileiro não conseguir suprir essa demanda.“, avalia.

O comportamento dos produtores diante da crise

Durante a conversa, discutimos como os produtores rurais estão lidando com essa crise. Dr. Alex enfatizou a necessidade de uma mudança urgente de mentalidade dentro do setor. Ele acredita que muitos produtores perderam o contato com a terra e estão se distanciando da realidade do campo, o que pode ser perigoso em tempos de crise. Em síntese, podemos dizer que o setor está vivenciando na “zona de conforto” de tudo que foi desenvolvido ao longo das últimas 5 décadas e isso causa uma letargia na tomada de decisões, principalmente em cenários de crise.

O agro brasileiro perdeu o contato com a terra de fato. As pessoas não estão com o pé no chão, estão pensando em devaneios e esquecendo que o cenário é hostil. Precisamos reformular o conceito do agro e criar núcleos de empreendedorismo que reavaliem o próprio processo de cooperativismo, que acabou se tornando rígido e calcificado“, afirmou.

Fica evidente que essa mudança de mentalidade é crucial para que o setor possa se adaptar e superar os desafios que estão por vir. O Brasil, sendo um dos maiores produtores agrícolas do mundo, desempenha um papel fundamental na segurança alimentar global, e os produtores precisam estar preparados para esse papel.

Diante de um cenário desafiador, é fundamental que o produtor rural adote uma postura de inovação e abertura para novas tecnologias e práticas sustentáveis. Dr. Alex Alves destacou a importância de reformular a mentalidade do agro brasileiro, enfatizando que “a nossa Embrapa é a melhor do mundo, essa galera nossa é surreal… O grande desafio agora é atravessar essa quebra de safra que tecnicamente para nós não é para causar dano nenhum, mas é para gerar fome do lado de fora.