Drones invadem o campo: estimativa da consultoria PwC aponta que o uso do equipamento no país é superior ao resto do mundo

 

Praticamente desconhecidos até meados de 2010, os drones, pequenas aeronaves sem tripulação, comandadas à distância, vêm aumentando sua presença em diversas atividades, com destaque para o avanço expressivo de seu uso nas fazendas. O ritmo de crescimento desse mercado no país tem surpreendido até mesmo os fabricantes dos equipamentos.

Há estimativas de que o Brasil se tornará, em dois anos, o terceiro maior mercado mundial de drones na agricultura. A  previsão é da americana MicaSense, empresa líder no mercado mundial de câmeras e sensores para o agronegócio.

A projeção de crescimento do mercado de drones no Brasil se baseia em estudos dos  analistas da empresa e no potencial da produção agrícola brasileira. “Nosso foco total está no mercado agrícola. Desde 2013, com o forte avanço tecnológico dos drones no Brasil, nossas vendas têm crescido 30% ao ano”, afirma Tadeu Barboza, representante da companhia.

Desde que foram definidas as regras para utilização dos drones (há um ano, em maio de 2017), cerca de 40% das aeronaves não tripuladas estariam dedicadas a aplicações no agronegócio, segundo estimativas dos organizadores da feira DroneShow, realizada em meados de maio, em São Paulo. A participação é superior ao resto do mundo, que tem um percentual de 25%, segundo dados da empresa de auditoria PwC.

Além do agronegócio, outras atividades que vêm se utilizando da nova tecnologia são empresas de inspeção de obras, segurança, filmagens e fotografias profissionais, monitoramento e mapeamento, entre outras.

Uma das líderes na fabricação de drones no país, a XMobots tem cerca de 80% de suas vendas concentradas nos serviços de agricultura de precisão, que utilizam tecnologia para melhorar a produtividade no campo. “Está crescendo demais essa demanda”, diz Thatiana Miloso, diretora da empresa.

FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL
Na lavoura de cana-de-açúcar, o uso do drone já está instituído como um de seus insumos”, afirma Thatiana. A segunda principal demanda é de monitoramento ambiental. “Desde o acidente em Mariana (rompimento de barragem na cidade mineira, em 2015), a procura por esse serviço experimentou um boom.”

Apesar da atual concentração dos negócios no setor agro, a empresa prevê que novos segmentos estejam começando a buscar o serviço dos drones. “Detectamos um aquecimento em setores como construção civil e fiscalização ambiental”, diz o CEO da companhia, Giovani Amianti.

A mão de obra envolvida nas atividades com os drones é um tema à parte e com diferentes ângulos. Os fabricantes de drones se queixam da dificuldade em encontrar no mercado profissionais com o perfil necessário que desejam contratar, de formação híbrida: que somem conhecimento de tecnologia e desenvolvimento de software associado à experiência na área agronômica, engenharia florestal e afins.

Por outro lado, a chegada da eficiência dos drones às lavouras tem feito “rolar cabeças” de profissionais de topografia e cartografia, que teriam perdido competitividade diante da nova eficiência tecnológica. “Houve uma quebra de paradigma de eficiência, por isso a redução de postos de trabalho”, diz Giovani.