Crises são ótimas, pois nos obrigam a criar. A fórmula para o enfrentamento da entropia é criatividade. Quando olhamos para o cooperativismo brasileiro, suas origens, seus desafios, vamos encontrar seres superantes da melhor espécie. Pessoas em pequenos grupos, visionários corajosos, valentes, iniciaram no passado o que hoje nos orgulhamos de ver representado pela OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras, pelo atual líder, Marcio Lopes de Freitas.
Da mesma forma a superação borbulha por todos os cantos e campos do agronegócio do país. Na parábola bíblica do semeador, é recomendado “não plantar em terras fracas“. O Brasileiro que supera, transcendeu até este ensinamento e hoje colhe mais de 650 milhões de toneladas de cana em terras fracas, consideradas no passado, inviáveis. Da mesma forma a força da superação vive exemplificada na evolução competitiva sensacional da produção de grãos, da suinocultura, da avicultura, dos saltos qualitativos da carne bovina e do leite. E, iremos ver esse mesmo espetáculo superante na aquicultura dos próximos anos.
O amigo Ivan Wedekin, ex-secretário da política agrícola no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, na época do Ministro Roberto Rodrigues, me disse estes dias que o impacto do governo sobre a receita do produtor nacional é de apenas 3%. Ou seja, os produtores brasileiros têm progredido e vieram a ser nesta metade da segunda década do novo século, exemplos vivos de superação concreta, como protagonistas.
A agroindústria processadora no país, em meio a custos logísticos impressionantes, a tributação e a desgovernança pública e política, demonstra liderança global. Compete com grupos multinacionais e sistemas de proteção gigantescos. Até no carnaval, vimos o samba nas avenidas sob o ponto de vista da organização, do processo, da mesma forma com a qual a moderna carne brasileira é produzida e vendida no mundo todo. Ou seja, de histórias de superação não temos falta no agronegócio brasileiro. Não temos falta no setor sucroenergético que supera a cada dia depois de ter passado pela última crise em 2014. Temos uma representante como a Beth Farina, presidente da UNICA, com tamanha integridade e competência. Basta querer ver. E o ano exige foco nos fundamentos do negócio. O ano exige ênfase em vendas. O ano exige clarificar. E, com quem vamos nos relacionar para irmos ao futuro!?
Na minha tese de doutorado, batizada “A pedagogia da superação”, realizei vários estudos com grupos humanos e observei pessoas que, sob circunstancias difíceis superaram. Fiz a comparação com outros, que sob as mesmas condições fracassaram, fraquejaram e se permitiram ao abandono. Sim, ao desistir abandonamos, e acima de tudo, abandonamos a nós mesmos. Nesse estudo encontrei 10 fatores vitais, essenciais presentes naqueles que aprenderam a superar. Sim, é uma pedagogia. Significa conhecer, ter possibilidade de aprender, de ensinar e de ser algo viável como aprendizagem. Dessa forma, para superar precisamos tomar consciência e desenvolver esses 10 fatores fundamentais:
1- Limiar de dor: Pessoas que superam são muito mais resilientes, sofrem, choram, caem, mas sabem suportar dores que afugentam e atemorizam aqueles que não superam.
2- Protagonistas versus vítimas: Pessoas que superam foram ensinadas ao protagonismo, jamais vitimização.
3- Talentos e habilidades: pessoas superantes guardam dentro de si um dom, uma vocação. Sabem fazer obras extraídas de si e, com esse poder geram fatos para superação das circunstancias.
4- Amabilidade: gente que supera é amável. Quer dizer atraem ajuda. Os fatores incontroláveis, a incerteza e o acaso estão presentes na ordem do universo. A amabilidade atua como fator de atração das ajudas e de caminhos de oportunidades. Terminam por receber dos outros, luzes inestimáveis.
5- Engajamento em profundidade: Gente que sabe superar é engajada. Atuam na vida comprometidos em corpo, alma e espírito. Dessa forma enxergam e captam o que escapa a maioria.
