Trump devolveu proposta com condiçõe mais duras, Irã não confirma acordo e o petróleo segue pressionado. Enquanto as negociaçõe se arrastam, o agro brasileiro sente no bolso o impacto no diesel, no frete e nos fertilizantes. Mas o Brasil pode ter um trunfo energético na manga.
As conversas entre Washington e Teerã avançam em ritmo lento. Trump devolveu a proposta de acordo com alteraçõe e os iranianos dizem que as tratativas seguem em andamento sem data para conclusão. O presidente americano voltou a declarar que qualquer acordo de paz passa pela condição de o Irã não possuir uma arma nuclear. Em entrevista recente, Trump afirmou não ter pressa para fechar o acordo.
O reflexo nos mercados é imediato. O petróleo opera em patamares elevados e o diesel acompanha a trajetória de alta. O frete agrícola, fortemente dependente do diesel, sofre pressão direta.
O impasse entre americanos e iranianos e o reflexo nos mercados
O Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome. O gás natural, insumo básico para a produção de nitrogenados, sobe na mesma esteira do petróleo. A conta chega ao campo antes do plantio. O produtor precisa apertar o cinto e renegociar prazos para segurar o lote de insumos.
A pressão sobre o câmbio agrava o cenário. O dólar PTAX fechou a R$ 5,06 no dia 29 de maio, segundo o BCB, elevando os custos de soja, milho e carne para o produtor brasileiro.
O que a crise no Oriente Médio muda na conta do produtor brasileiro
Há, porém, um contraponto relevante. A revista The Economist destaca que o Brasil tem uma arma secreta contra choques do petróleo. O etanol ganha competitividade em momentos de petróleo caro, o que alivia parte da pressão sobre os custos energéticos do agronegócio. Enquanto isso, nos Estados Unidos, a inflação de alimentos subiu em abril puxada pela alta da gasolina, conforme dados do BLS.
O cenário exige atenção. As negociações entre EUA e Irã ainda podem mudar de rumo, mas enquanto não há acordo, o produtor brasileiro sente no bolso cada novo movimento no tabuleiro geopolítico.