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Teconoshow 2026: Evolução tecnológica e cobrança de compromissos governamentais

Vicente Delgado
06/04/2026 às 16:50
Teconoshow 2026: Evolução tecnológica e cobrança de compromissos governamentais

Presidente da Comigo cobra mais competência e celeridade nas questões relacionadas a assuntos vitais do agronegócio, como autossuficiência de combustíveis, fertilizantes e infraestrutura de escoamento da safra.

A 23ª edição da Tecnoshow Comigo, uma das feiras mais importantes e bem organizadas do agronegócio brasileiro, teve sua abertura oficial em Rio Verde, na manhã desta segunda-feira (06/04), marcada por debates profundos sobre o futuro do setor, os gargalos infraestruturais do Estado de Goiás e as severas turbulências econômicas globais.

Teconoshow conecta o agro

Reunindo lideranças políticas, produtores rurais, pesquisadores, autoridades municipais e estaduais, além de embaixadores de diversos países, o evento reforçou a força do Sudoeste Goiano como a região de mais alta produtividade e qualificação profissional do setor rural no Brasil.

O tom inicial da cerimônia foi dado por Antonio Chavaglia, presidente do conselho da Comigo, que pontuou a complexidade econômica enfrentada pelos produtores. Chavaglia destacou a importância de manter os investimentos em inovação para garantir a sobrevivência no campo. “Embora estamos no momento de recessão, mas a nossa feira tem que continuar trazendo evoluções tecnológicas”, afirmou, ressaltando o papel vital das empresas de pesquisa na criação de novas cultivares para tentar aliviar a imensa pressão de custos sobre o agronegócio brasileiro.

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Antonio Chavaglia, presidente do conselho da Comigo. Foto: Pedro Henrique

O presidente da feira traçou um panorama preocupante sobre a situação global e nacional, citando os reflexos diretos de guerras, que elevam vertiginosamente os custos do petróleo e dos insumos, além de inflacionar o frete marítimo e o transporte interno no país. Diante desse cenário de incertezas e altos investimentos repassados ao produtor, ele advertiu que “às vezes a conta acaba fechando em vermelho“.

Chavaglia também criticou veementemente a falta de planejamento histórico do Brasil em relação aos combustíveis e fertilizantes. Desmistificando os recorrentes discursos oficiais de independência energética, ele declarou: “Governos brasileiros sempre falaram que é autossuficiência de petróleo. Realmente somos autosuficiente em petróleo bruto. Cadê as refinarias que não fizeram? Nós temos que mandar óleo bruto lá pra fora e comprar óleo refinado de lá pra cá… Incompetência é total“, lembrando as refinarias que nunca foram concluídas e as essenciais indústrias de ureia da Petrobras que foram desativadas na contramão da necessidade do país.

Desenvolvimento regional e novas oportunidades

Nas demandas voltadas especificamente ao âmbito estadual, Chavaglia solicitou maior rigor do governo na contratação de empreiteiras encarregadas pela recuperação e pavimentação de rodovias. Ele destacou que diversas empresas ganham licitações sem sequer possuir o maquinário necessário, prejudicando os cronogramas de entrega. Além das condições das estradas, o líder cooperativista expôs um entrave crítico envolvendo a infraestrutura elétrica, citando a construção de uma nova indústria de esmagamento de soja na cidade de Palmeiras.

Com um investimento colossal que ultrapassa a marca de R$ 1,3 bilhão e a promessa de forte geração de empregos locais, o projeto tem esbarrado fortemente na lentidão da concessionária Equatorial Energia para realizar a ligação elétrica. “Nós estamos tentando formar pessoas de lá para poder gerar emprego lá… mas a Equatorial não resolveu. Então, seria fundamental se o senhor pudesse pegar o presidente da Equatorial e pedir prioridade nessa questão“, cobrou Chavaglia diretamente ao chefe do Executivo estadual presente no palco.

Goiás no caminho do crescimento

Em resposta imediata às demandas apresentadas, o governador de Goiás, Daniel Vilela, assumiu a palavra acompanhado de grande parte de seu secretariado, incluindo o novo secretário de Agricultura e Pecuária, Ademar Leal, escolhido por sua vivência como produtor e industrial da região para amplificar as demandas do setor produtivo junto ao governo. Vilela reconheceu que o setor rural desempenha papel crucial, sendo a força que “carrega a economia do nosso estado e do nosso país“.

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Governador de Goiás, Daniel Vilela. Foto: Pedro Henrique

Sobre as obras rodoviárias, o governador concordou que a baixa qualidade de fornecedores e a forte burocracia imposta por processos licitatórios são obstáculos constantes, mas fez questão de apresentar entregas concretas que beneficiam diretamente o agronegócio. Entre elas, destacou a recente inauguração da duplicação de um trecho de 3 km na GO-174, exatamente na entrada do evento, uma obra que era demanda antiga e foi construída em parceria com a Comigo, via modelo de Tari, para resolver o gargalo de congestionamento nos dias de feira.

Vilela detalhou ainda que há seis grandes obras em execução ininterrupta apenas na região sudoeste, com outras 13 em processo de licitação. O pacote viário inclui a retomada e o avanço da pavimentação nas rodovias GO-210, GO-178, GO-180 e GO-206, visando otimizar fortemente a rota logística de escoamento produtivo até a BR-364. O chefe do executivo citou também frentes de trabalho rodoviárias essenciais que interligam os municípios de Quirinópolis a Castelândia, e diversas frentes na região Oeste, abrangendo cidades como Doverlândia, Baliza e Ponte Branca.

Frente à urgência de fornecimento de energia na mega unidade esmagadora de Palmeiras relatada pelo presidente da Comigo, a postura do governador Vilela foi garantir que a resolução do problema é vista como prioridade de estado. O mandatário revelou já ter exigido anteriormente um cronograma de investimentos da empresa privada e assumiu um compromisso público com Chavaglia: “Assim que a gente deixar aqui… eu farei questão de ligar imediatamente para o presidente da Equatorial para cobrar dele essa situação e os investimentos que ele se comprometeu a fazer para garantir o funcionamento desse importante investimento“. Adicionalmente aos esforços regionais, o governo estadual tem promovido forte articulação junto ao Ministério de Minas e Energia para conseguir realizar leilões de linhas de transmissão voltados estrategicamente para atender gargalos no Vale do Araguaia, além do lançamento recente de um linhão ligando Tapiraí a Jussara.

Inteligência artificial a serviço do campo

O governo estadual também aproveitou o evento para anunciar inovações tecnológicas e institucionais. Acompanhado da secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD), Andreia Vulcanis, Vilela comunicou uma iminente revolução no licenciamento ambiental através de uma parceria inédita de inteligência de dados. “Nenhum outro estado tem um projeto de inteligência artificial que vai promover a análise do nosso licenciamento… um projeto piloto do Google com a nossa SEMAD“, anunciou com entusiasmo, aproveitando para defender a expansão acelerada do modelo de licenciamento por autodeclaração, cuja base é alicerçada no princípio da presunção de boa-fé do produtor rural goiano.

Ao fim da manhã, a abertura da Tecnoshow Comigo 2026 consolidou-se não apenas como a vitrine mais eficiente do agronegócio nacional para concretizar bons negócios, mas de forma muito clara como um epicentro de diálogo transparente entre a classe produtora e os entes governamentais. Diante de imensas adversidades climáticas, crônicos gargalos de infraestrutura e do complexo xadrez da economia global, a adoção ininterrupta de tecnologias, o crédito responsável e as parcerias governamentais firmam-se como os únicos caminhos reais para a sobrevivência e sustentabilidade econômica do setor primário para o futuro.

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Comigo goiás tecnoshow

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