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Subvenção do diesel segura custos, mas margem da soja em MT já sente a pressão do petróleo a US$ 93

Redação
01/06/2026 às 10:53
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Subvenção do diesel segura custos, mas margem da soja em MT já sente a pressão do petróleo a US$ 93

Medida do governo federal reduz impacto imediato do Brent elevado, mas analistas alertam para aperto nas contas do produtor na reta final da safra recorde

O diesel chega mais barato nas propriedades de Mato Grosso, mas o alívio nos tanques das máquinas não apaga a conta do petróleo. A subvenção de R$ 0,35 por litro anunciada pela Conab no fim de maio veio em boa hora para quem ainda está na colheita ou já prepara o solo para a safrinha. O Brent na casa dos US$ 93 mantém a estrutura de custos lá em cima, e a margem da soja começa a mirar o breakeven com uma lupa que não engana ninguém. Nos campos de Mato Grosso, a notícia foi recebida com alívio, mas sem euforia. O diesel representa uma fatia expressiva do custo operacional, especialmente numa safra recorde como a de 2026.

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A subvenção que camufla o custo real do petróleo

O governo federal publicou no Diário Oficial da União do dia 31 de maio a medida que autoriza o desconto de R$ 0,35 por litro de diesel pelo período de dois meses. A decisão veio na esteira da disparada do petróleo Brent, que atingiu US$ 93 o barril, patamar que não se via desde os choques recentes do mercado internacional. Para o produtor mato-grossense, o efeito é imediato no custo de colheita e escoamento da safra.

Mas a conta não é simples. O dólar girando em torno de R$ 5,00 potencializa o impacto do petróleo cotado em moeda americana, e a subvenção, embora relevante, não elimina a pressão de longo prazo. O custo do diesel antes do desconto já acumulava alta significativa no ano, impulsionado pelo barril caro e pela desvalorização cambial. O alívio de R$ 0,35 por litro equivale a uma redução de aproximadamente 8% a 10% no preço final do combustível, dependendo da região e dos impostos locais.

A Conab estima que a medida beneficie diretamente milhares de produtores rurais em todo o país. Em Mato Grosso, o impacto é especialmente sentido. O estado responde por cerca de 30% da produção nacional de soja e possui uma das maiores frotas de máquinas agrícolas do Brasil. Cada ponto percentual de redução no diesel representa milhões de reais em economia no custo operacional das lavouras.

Soja em MT entre a estabilidade aparente e a margem real

Enquanto o diesel sobe e desce conforme a caneta do governo e o humor do mercado internacional, as cotações da soja em Mato Grosso mostram uma estabilidade que esconde a verdade do campo. O Indicador IMEA da soja disponível fechou a R$ 105,28 por saca no dia 29 de maio, uma variação positiva de apenas 0,18% no período. Já a paridade de exportação alcançou R$ 110,15 por saca no dia 28 de maio, com alta de 0,76%.

Os derivados também acompanham o movimento. O farelo de soja em Mato Grosso subiu 2,06% e chegou a R$ 1.588,68 por tonelada. O óleo de soja registrou alta de 1,31%, cotado a R$ 5.852,12 por tonelada. Os números mostram um mercado lateralizado, sem grandes explosões de preço, mas também sem derretimentos que assustem o produtor.

No Paraná, o movimento é semelhante. O indicador Cepea da soja no estado fechou a R$ 130,12 por saca no dia 29 de maio, com queda de 0,60% no dia, mas alta de 0,96% no mês. A soja disponível no Paraná ficou em R$ 124,23 por saca, recuando 0,29%. Os preços no sul do país seguem acima dos praticados em Mato Grosso, reflexo da proximidade com os portos e da menor dependência de frete rodoviário.

O problema é que, com o petróleo a US$ 93 e o custo do diesel ainda elevado mesmo com a subvenção, a margem do produtor mato-grossense fica cada vez mais apertada. A tabela de preços nas principais praças do estado mostra que a realidade muda de acordo com a região.

PraçaPreço (R$/sc)
RondonópolisR$ 111,50
Alto GarçasR$ 111,00
Alto AraguaiaR$ 110,60
Primavera do LesteR$ 110,20
Campo VerdeR$ 109,80
Nova MutumR$ 106,00
Lucas do Rio VerdeR$ 105,50
QuerênciaR$ 105,30
SorrisoR$ 105,00
SinopR$ 104,70
CanaranaR$ 104,60
Tangará da SerraR$ 104,10
Campo Novo do ParecisR$ 104,00
SapezalR$ 103,70
DiamantinoR$ 103,60
Alta FlorestaR$ 101,50

A diferença entre a melhor e a pior praça chega a R$ 10 por saca, o que mostra como a logística e a proximidade dos portos fazem diferença no bolso do produtor. As regiões sul e sudeste do estado, mais próximas dos corredores de exportação, pagam os melhores preços. No norte e noroeste, onde o custo de frete pesa mais, a soja vale menos na hora de fechar negócio.

O produtor que está em Diamantino ou Sapezal recebe quase R$ 8 a menos por saca do que aquele que entrega em Rondonópolis. Essa diferença, somada ao custo elevado de insumos puxado pelo petróleo, começa a apertar o cerco sobre quem vive da terra. A subvenção do diesel ajuda, mas não resolve o problema estrutural de um setor que opera com margens cada vez mais finas.

A safra recorde de soja em 2026 mostra a força do agro brasileiro, mas também expõe a fragilidade das contas do produtor quando os custos sobem mais rápido que os preços. No fim das contas, o Brent a US$ 93 e o real desvalorizado cobram seu preço, e a subvenção do diesel funciona como um paliativo que não cura a doença, apenas alivia o sintoma.

Enquanto o petróleo não ceder, o produtor de Mato Grosso vai seguir fazendo as contas no lápis e medindo cada gota de diesel na esperança de que a soja pague a conta no fim da safra. A subvenção ajuda a segurar a ponta, mas a margem real já sente o aperto, e o breakeven está mais perto do que muitos gostariam de admitir.

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