Preços do boi e da carne seguem firmes, e entender esse cenário é crucial para o produtor, veja mais informações a seguir
Quem está no campo sabe que o mercado do boi gordo é feito de ciclos, pressão e muita negociação. Nos últimos dias, a conversa que ecoa das fazendas aos escritórios dos frigoríficos é a mesma: o valor da arroba está sustentado.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços dos animais para abate continuam em patamares elevados em todo o país, com a indústria precisando abrir a carteira para preencher suas escalas, que estão mais curtas. Essa firmeza não é um evento isolado, mas o resultado de uma complexa equação que envolve a oferta de animais, a força da demanda interna e, principalmente, o apetite do mercado internacional pela proteína brasileira.
Vamos desvendar juntos os fatores que explicam por que os preços do boi e da carne seguem firmes e o que isso significa para cada elo dessa cadeia produtiva.
O que está por trás da oferta mais enxuta?
À primeira vista, pode parecer um paradoxo. O Brasil detém um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, com números que superam 230 milhões de cabeças, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Então, como pode faltar boi no pasto? A resposta está no chamado “ciclo pecuário”. Quando os preços da arroba estão atrativos, como agora, muitos produtores optam por reter as fêmeas (matrizes) para aumentar o rebanho e a produção de bezerros no futuro. É um investimento de longo prazo que, no curto prazo, diminui a quantidade de animais disponíveis para o abate.
Essa estratégia de retenção é uma aposta na continuidade do mercado aquecido. O pecuarista faz as contas e percebe que uma matriz produzindo bezerros pode render mais ao longo do tempo do que sua venda imediata para o gancho. Além disso, fatores climáticos também desempenham um papel fundamental. A qualidade das pastagens, que depende diretamente do regime de chuvas, influencia a capacidade do produtor de segurar o gado por mais tempo, esperando por melhores oportunidades de negócio. Uma boa oferta de pasto permite ao pecuarista ter maior poder de barganha, evitando vender seus animais por qualquer preço.
Demanda aquecida o motor do mercado
Se a oferta está mais controlada, a demanda segue em alta velocidade, especialmente no front externo. O Brasil se consolidou como um gigante na exportação de carne bovina, e o mercado internacional continua com um forte apetite pela nossa proteína. Países como a China, Estados Unidos e nações do Oriente Médio são compradores vorazes, e essa demanda externa ajuda a enxugar a produção interna e a sustentar as cotações em reais. Conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), o volume e o faturamento das exportações têm batido recordes, mostrando a força e a competitividade do produto nacional lá fora.
Essa competição pelo boi brasileiro significa que os frigoríficos habilitados para exportação precisam ser agressivos nas compras para cumprir seus contratos internacionais. Essa movimentação acaba puxando para cima os preços em todo o mercado interno. Mesmo em períodos de consumo doméstico tradicionalmente mais fraco, como a segunda quinzena do mês, a necessidade de atender aos embarques para o exterior impede que os preços recuem. Portanto, a força da exportação é, sem dúvida, um dos principais pilares que explicam por que os preços do boi e da carne seguem firmes.
Preços do boi e da carne seguem firmes e o dia a dia no campo
Para o pecuarista, este cenário de cotações elevadas traz tanto oportunidades quanto desafios. A receita aumenta, mas os custos de produção também subiram, pressionando as margens. A decisão de vender ou reter o gado torna-se um cálculo diário que envolve diversas variáveis. É um momento de colocar na balança o planejamento e a intuição, sempre de olho no mercado. A rotina na fazenda é marcada por perguntas constantes:




